Mensagens e Apresentações

Aqui você encontra mensagens de edificação para sua vida. Ouça o que o Livro de Deus tem a lhe dizer, mais do que o que você quer que Ele diga. Deus seja contigo!

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Está amarrado, em Nome de Jesus!

compilação

imagem ilustrativaCada vez mais as pessoas ouvem conceitos e os repetem sem análise.

Aproximei-me de um grupo que, certa vez, estavam impondo as mãos em direções aleatórias. Após indagar, um deles me disse que estavam "amarando satanás" naquela cidade, destituindo-o de seus poderes e influência. Então, pouco encorajado, fiz uma pergunta: Qual seria o benefício de tal ação? A pessoa a quem perguntei, me encarando como se estivese diante do maior incrédulo da face da terra, me respondeu com um tom de quem estava falando sobre a descoberta da pólvora: Se declararmos que satanás está amarrado, todo o mal vai cessar na cidade. Então fiz outra pergunta àquela pessoa: Quer dizer que, após a declaração de que satanás está amarrado cessarão todos os crimes, roubos, acabará a prostituição, não teremos mais divórcios na cidade, não haverá mais pecado? Foi então que, com um novo olhar de "eu não havia pensado nisso", ele, titubeando, me respondeu: Sim! E foi seguido de um silêncio constrangedor. Masis tarde, na saída do evento, ele me deu um folheto falando sobre o "pecado da incredulidade". — Seu silêncio foi embarcado pela facilidade de abdicar de pensar. Aliás, para muitos hoje em dia, pensar dá trabalho. É mais fácil seguir a massa, ser um "igual", coadunar-se à sensação de aceitação do grupo, independete se moralmente se está certo ou errado. Pensar exclui! Seguir o modismo e as frases de efeito é o grande boom da hora.

Mas, quem ensinou isso? Onde se acha base nas Escrituras Sagradas para esta “declaração tão poderosa”? Sim, porque, se esta interpretação for verdadeira, acabaram-se nossos problemas! Adeus, penitenciárias, crimes, pecados! O céu chegará para a terra e, isso tudo, com uma simples declaração! — Mas, nem o próprio Jesus fez isso!

Essa interpretação equivocada vem de Mateus 12.29 e Marcos 3.27 (Apocalipse 20.2 não comporta aqui). Estes textos se referem a um mesmo episódio bíblico. Lucas 11.17-23 também narra o episódio sem registrar a declaração encontrada em Mateus e Marcos: “amarrar o valente”. — Note que a base utilizada é muito precária para uma doutrina e uma prática tão revolucionárias. É forçar o texto a dizer o que não está sendo dito. E texto sem contexto é pretexto para heresia (Já dizia o nobilíssimo mestre da cadeira de Hermenêutica).

Uma série de curas foram feitas por Jesus, conforme afirma Marcos. E a que mais impressiona o evangelista Mateus é a cura do endemoninhado cego e mudo. Parecia ser uma grande desgraça não poder ver e nem falar e, ainda, estar cheio de demônios. Após a cura, os Fariseus e outros atônitos, sem ter o que dizer, acusaram Jesus de agir por Belzebu. Este nome é dado a uma divindade Cananéia, cujo tradução significa “Baal, o príncipe das moscas”. Esta definição fica bem clara em Marcos 3.22. Os fariseus não admitiam que Jesus estivessem com um demônio conhecido, mas por divindades estrangeiras.

Magistralmente, como sempre, Jesus responde que se estivesse envolvido com Satanás ou Belzebu (uma “divindade” pagã, para ele, é demoníaca) seria um caso de guerra civil. Satanás não brigaria com Satanás. Seria como dividir sua casa, que não subsistiria. Mas, Jesus afirma: Ele agia pelo Espírito de Deus e com ele era trazido à Terra o próprio Reino do Pai (Mateus 12.28). — Ele está dizendo que o FIlho de Deus entrou num mundo com a presença do maligno (1João 5.19) e estabeleceu seu Reino. Ele veio para libertar os oprimidos do Diabo (Atos 10.38) e destruir as obras de Satanás (1João 3.8). Esta obra é ilustrada pela expressão “entrar na casa do valente, amarrá-lo e despojá-lo”. Trata-se de uma linguagem comum e própria da cultura do Velho testamento. É linguagem usada pelo Israel veterotestamentário, comum aos idos Hebreus de conquista. Jesus já fez isso!

O design da declaração de Jesus pode não ser tão relevante, pois, parece que estamos diante de uma metáfora de um só sentido. O que importa é: há um homem forte que tem bens: é Satanás. Um mais forte que ele, que é Jesus, adentra o lugar onde ele está e o vence. A vitória de Jesus no deserto (Mateus 4.1-10) mostra sua superioridade sobre Satanás.

É daqui que surgiu popularmente o chavão “amarrando o valente” (Mt 12.29 e Mc 3.27). E somente Jesus pôde fazer isso! Somente Ele é Deus e tem poder para realização de tal ato. — Mas, cuidado! As Escrituras Sagradas não dizem que os crentes podem realizar o mesmo ato! Em primeiro lugar, é desnecessário fazer algo que “já foi feito por Jesus”! Assumir que o crente de hoje precisas “renovar” ou “refazer” uma obra realizada por Cristo, é o mesmo que afirmar que tal ato ou obra tem prazo de validade ou não é perfeita e efetivamente eficaz. — Aí, vem aqueles mais desavisados e dizem: – Mas Jesus disse que obras iguais e maiores faríamos! Estes, certamente estão se baseando na passagem de João 14.12. Com certeza, autores desta afirmação, não sintonizaram o contexto no qual Jesus fez está afirmação. Ele falava da missão dEle, de trazer o evangelho e a salvação (e depois voltar para o Pai). É a mesma missão que nos foi deixada em Atos 1.8: a missão de sermos testemunhas, de propagar a mensagem de Jesus, de falar sobre o Reino e sobre o Pai. (Mas, com igual certeza, Jesus não nos ensinou a desviar da missão e ficar fazendo coisas que ele já fez [porque só Ele poderia fazer!]). Essa obra, Jesus realizou quando irrompeu com seu Reino Messiânico na História da Salvação.

Crentes não amarram Satanás. A Bíblia não traz um versículo sequer dizendo que com uma simples declaração conseguimos esta proeza. É muito simplório, e pretensão de algumas pessoas, presumirem que suas palavras amarram Satanás.

Veja o pobre Jó, que foi alvo das ações maléficas e invejosas do inimigo. E tudo isso com a permissão de Deus! Eu não vejo os crentes de nosso tempo suplicando que Deus os prove como provou a Jó. Se e quando se lembram de Jó é só na parte da prosperidade, do ganhar bênçãos em dobro. Ninguém quem declarar com poder: — Eu quero ser íntegro como Jó! Eu quero ser reto , temente a Deus e um homem que se afasta do mal como Jó.

Levanto algumas considerações para pensar:

1) Por que o amarram em cada culto? Ou fica amarrado para sempre ou alguém o solta! Quem o solta depois que ele é amarrado?

2) Se ele está amarrado, quem está agindo? É impossível deixar de reconhecer que ele está solto, agindo neste mundo.

3) Jesus estava sendo “literal” quando disse estas palavras?

Será que devemos tornar literal, dar um sentido universalizado a esta frase e atribuir como herança a todos os crentes uma coisa que Jesus não fez? Não estaria o Filho de Deus usando uma linguagem figurada para tornar acessível à compreensão sobre seu total desligamento da pessoa de satanás, que era seu adversário e alvo de sua Ira futura? O próprio Jesus que o amarrou, quando foi tentado por ele no deserto, não ficou dizendo jargões infundados, mas, antes, se respaldou na Palavra de Deus (Mt 4.1-10; 16.23 e Lc 4).

O apóstolo inspirado nos adverte que a nossa luta contra satanás e seus anjos é feita no campo da Palavra de Deus (Ef 6.12-18). O quadro é de resistência e não de jargões simplórios de declarações sem sentido bíblico.

4) Com que base bíblica, então, fazem estas declarações? Quero entender o “por quê” de necessidades como estas, de práticas que esbarram como doutrina, que assumem posição dogmática no meio evangélico, mas apenas possuem aparência de tintura bíblica, mas não tem raízes bíblicas. Seguindo a mesma linguagem de Paulo, Tiago 4.8 e 1Pedro 5.9, nos orientam a “resistência” ao diabo e não de amarração. Se fosse verdade dogmática o que se propõe o jargão, a bíblia não deixaria bem claro o fato de o amarrarmos com uma frase de efeito?

5) Enquanto consideramos filosofias vãs e folclores evangélicos, não estamos atentos as ordenanças importantes e indiscutíveis da Palavra de Deus: algumas como oração e vigilância. — Não poderia ser mais um engano que satanás tenta colocar no meio do aprisco celeste “ideias” antibíblicas e de camuflagem? Não seria seu interesse que nos tornássemos simplórios oradores de frases de efeito para que nos descuidássemos de nossa vigilância e de conhecer mais profundamente a Palavra de Deus?

É importante tomarmos o cuidado que os filhos de Ceva, um judeu sumo sacerdote, não tiveram. É quase hilário lembrar a situação desta passagem, mas a seriedade que envolve o episódio nos remete ao temor de usar as coisas de Deus de forma tão simplória e quase desdenhosa. Como disse, Ceva era um judeu e sumo sacerdote (At 19.14). Seus sete filhos faziam-se de exorcistas ambulantes (v.13), e queriam para si a fama que davam a Paulo. Eles usaram o nome do Senhor Jesus em vão, e nem mesmo usaram o nome como se fossem servos dEle. Usaram com mediocridade e não-pertença de propriedade. No versículos 15, está registrado a resposta dos demônios sobre aqueles simplórios oradores de frases de efeito: — “Conheço a Jesus e sei quem é Paulo; mas vós, quem  sois?”. – Que vergonha! Que papelão fizeram estes usurpadores de direitos cristãos.

Mas não acabou aí! O texto diz, no versículo 16 que, o possesso do espírito maligno deu uma “coça” nos sete filhos de Ceva. Os pretensos exorcistas de frases de (de)efeito, voltaram envergonhados, feridos e... “desnudos”?? Sim, desnudos! Pelados! Sem roupa! Além da surra, voltaram sem honra, feridos e nús.

Agora, a pancadaria material (não espiritual!) que o espírito maligno deu nos sete filhos de Ceva, o sumo sacerdote, foi alvo do conhecimento de todos “...judeus como gregos habitantes de Éfeso,...” e o resultado foi: “...veio temor sobre todos eles, e o nome do Senhor Jesus era engrandecido. Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras. Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus preços, achou-se que montavam a cinqüenta mil denários. Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente.(vs. 17-20). Que episódio maravilhoso! Que épico cristão fantástico! Pena que muitos oradores de frase de efeito não lêem verdadeiramente a Palavra de Deus e a conhecem como tal. — Amarradores de demônios que não usam a Palavra de Deus e nem possuem respaldo nela! Seus atos produzem fama e glória para si mesmos e Deus é apenas um coadjuvante em suas histórias de exorcismos e amarrações de demônios que continuam soltos em pessoas que deveriam estar ouvindo a Palavra de Deus pela boca destes, mas estão ocupados demais fazendo algo que nem Jesus, nem a Bíblia lhes disse para fazer. E o que a Sagrada Escritura ordenou que fizessem, não estão fazendo, que é libertar estas gaiola de espíritos malignos com a propagação e a disseminação do evangelho, que e a Palavra que liberta.

A Bíblia precisa ser mais criteriosa e seriamente estudada! Precisamos fugir das “grifes” evangélicas e suas novidades que rebentam aqui e acolá. Estas incríveis “descobertas (?)” e redescobertas que já estão presentes há mais de dois mil anos e que tratam como se descobrissem a pólvora. É preciso haver firmamento na doutrina equilibrada da Sagrada Escritura. Se é pra amarrar, então, amarremos este sentimento de novidades, este espírito ateniense de Atos 17.21 (PelamordeDeus! espírito, aqui, é linguagem figurada, uma transnominação) e procuremos o genuíno ensino espiritual que somente a Palavra de Deus pode nos proporcionar.

 

GLOSSÁRIO________________________________________________________________________________________________________________________

Metáfora - designação de um objeto ou qualidade mediante uma palavra que designa outro objeto ou qualidade que tem com o primeiro uma relação de semelhança (p.ex., ele tem uma vontade de ferro, para designar uma vontade forte, como o ferro) - Dic. HOUAISS.

Transnominação - significação figurada das palavras. Dic. HOUAISS.