Série - Transtorno de Personalidade: O Antissocial - parte 2

24/11/2013 15:37

       Este é o primeiro transtorno que trataremos. Escolhi aleatoriamente, pois não há uma escala hierárquica de valores aqui, para não ficarmos pensando “este é pior do que aquele”. Todos os transtornos possuem suas definições que merecem nossa atenção.

 

      Os antissociais (vamos chamá-los assim referindo-nos aos que possuem TPA – Transtorno de Personalidade Antissocial), são caracterizados por alguns “tipos” do comportamento. Geralmente são:

 

Desrespeitosos e violadores dos direitos alheios. Não se relacionam bem com normas. São mentirosos, impulsivos, costumam engodar as pessoas e estão sempre procurando obter vantagens sobre os outros. Possuem um comportamento emocional de constante irritação, são irresponsáveis e infensos a remorsos (mesmo quando dizem ter para levarem vantagem em algo). São capazes de estabelecer relacionamentos, contudo, superficiais, pois, não conseguem sustentar vínculos profundos e duradouros.

Os antissociais são viciados em agitação! Não são chamados assim por serem isolados ou distantes, pelo contrário, adoram festas. Sua classificação está relacionada ao fato de sua característica principal, que é a de não se importarem com as normas sociais. São pessoas que, até certo ponto, são atraentes pois se apresentam próximas ao gosto da maioria. Adoram sexo e o métier do momento. Precisam de ambiente/companhia estimulante, pois detestam o tédio. Vêem a vida como uma fornecedora de bons momentos, alguma ação e gratificadora imediata de seus desejos.

 

      É interessante que os antissociais são os mais sensuais, entusiasmados e divertidos. As pessoas criam empatia com eles rápida e facilmente e, também, são enganadas na mesma forma. Por não terem muito a retribuir, oferecem portanto, uma “diversão passageira”. — Como a maioria dos transtornos de personalidade, eles se apresentam como Ferraris entre toyotas. Proporcionam grandes emoções. São criados para velocidades. Mas não são dignos de confiança e ótimos em decepcionar pessoas.

 

      Um exemplo de conversa com um antissocial:

 

Antissocial: - O que houve, amor?

Mulher (cabisbaixa): - Fulano, é impressionante você me perguntar isso. Acha que eu devo aceitar você flertando com outras bem debaixo no meu nariz?

 

O antissocial passa o braço por detrás do ombro da mulher, mas ela o afasta.

 

Antissocial: Querida, era uma festa e eu estava bêbado.

Mulher (zangada): Um bêbado que só beijava minhas amigas conhecidas e não as desconhecidas. E houve algumas que durou cinco minutos de beijo.

Antissocial: Você sabe que não significou nada. É você quem eu amo. Você é a única. Por favor, benzinho, você precisa confiar em mim.

 

      Uma forma de lidar com um antissocial é conhecer o passado da pessoa, pois repetem seus hábitos por se tratar de um transtorno.

      O TPA é o mais simples dos transtornos, mas também o mais perigoso. São do tipo “adoráveis trapaceiros”, pois não aceita as normas sociais. Uma das características mais comuns entre os TPs (transtornos/distúrbios de personalidade) é a de serem sanguessugas emocionais.

  • ESTRADA TORTUOSA

      O nome para este transtorno foi, a meu ver, mal escolhido. Há uns cem anos, quando os diagnósticos psiquiátricos eram juízos morais e não descrições da personalidade, esse transtorno era considerado um tipo de personalidade de criminosos. Convenientemente, de todos os sanguessugas emocionais, os antissociais possuem a maior probabilidade para atos ilícitos.

 

      Os distúrbios da personalidade são uma escala. Em uma das extremidades estão os criminosos. Na outra, estão os adolescentes adultos entusiasmados, aventureiros ainda, muito ligados a sexo, drogas e rock'n'roll.

 

      Há um antagonismo em referência ao TPA, eles gostam de ter gente por perto, porém são solitários. Não firmam compromissos porque não confiam em ninguém, são egocêntricos e predadores orgulhosos. Não se constrangem pelo egoísmo, pois acreditam ser o melhor fator de motivação.

Alguns aspectos do TPA:

 

Não é digno de confiança e às vezes chega a ser desonesto. Não se submete à autoridade! Está convicto de que a maioria das normas são tolas, castradoras e foram criadas para serem transgredidas. Entedia-se facilmente com a rotina a ponto de trabalhar com desleixo e deixar de lado tarefas importantes. Aproveita-se dos outros e tem frequentes acessos de raiva para conseguir o que quer. Reduzida capacidade de planejar com antecedência ou aprender com os próprios erros. Na área pessoal, está se divorciando, passando por dificuldades financeiras, e correm boatos de que tem problemas com álcool e drogas. — Albert J. Bernstein, Ph.D.

      Os alvos favoritos dos sanguessugas emocionais são pessoas que acreditam poder ter a felicidade e a efusividade de uma Ferrari com a segurança e a estabilidade de uma Toyota.

 

  • AVALIANDO

      Como nossa proposta é descrever rapidamente sobre os transtornos, não nos estenderemos academicamente (assim como a linguagem utilizadas é coloquial) e seremos mais lúdicos.

O comportamento específico do TPA sugere que se relacionam com várias características fundamentais de sua personalidade:

 

Enorme necessidade de estimulo/motivação

      No centro da personalidade antissocial há um desejo ardente de estímulos de todos os tipos. Possuem sua origem em um impulso fundamental para a agitação. Numa encruzilhada escolhem o caminho que leva à agitação em menos tempo. Eles podem ignorar totalmente essa dinâmica, contudo ela serve para explicar grande parte de seu comportamento.

      O lado positivo, os antissociais não se deixam influenciar por dúvidas e preocupações. Aceitam riscos e desafios que aterrorizam as pessoas comuns.

      O impulso que leva à coragem também os leva ao tédio na vida cotidiana. A paisagem do mundo do antissocial se compõe de picos esparsos de diversões palpitantes e desertos de tédio terríveis. A liberdade para eles, porém, significa encrenca para todas as outras pessoas.

 

Impulsividade

      Os antissociais raramente pensam por que fazem o que fazem; simplesmente fazem. Eles não percebem que estão tomando decisões, é tudo uma questão de momento. Se você lhes der o que querem, ficam entusiasmados. Se você os frustrar, eles têm um ataque de nervos. Deixe-os em uma situação tediosa que eles fazem um alvoroço. Acreditam piamente que seus atos são provocados pelo que você faz. Essa convicção os livra da responsabilidade e da culpa, mas também lhes rouba a percepção do controle sobre a própria vida - essa percepção que é uma das essenciais para a saúde mental. — A preocupação e a dúvida podem nos atrapalhar, mas também proporcionam sentido e continuidade à nossa vida.

 

O que chama a atenção

      A fonte de todo o charme do TPA é a imaturidade. Raramente amadurecem antes dos 50 anos de idade; mesmo assim é só a idade e os excessos que os detêm.

 

 

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Rev. Luiz Cláudio de Oliveira é Pastor Presbiteriano - PDCX/SRF
Psicanalista Clínico - CRPC/RJ nº 0196/12 e Designer.
Para contato: luizluizrev@hotmail.com / @revluizclaudio / facebook.com/luizluizrev
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