Série - Transtorno de Personalidade

24/11/2013 14:44

 

      Você sabe o que são distúrbios da personalidade? Se sim ou não, importa saber que é valioso você conhecer um pouco sobre isso. Das muitas percepções que podem fluir disso duas delas são, direta ou indiretamente, benefícios. O fato é que você pode identificá-las em seus relacionamentos ou em si mesmo. É igualmente importante para se ter uma saúde pessoal e coletiva que se busque soluções/tratamento para o bem viver na sociedade.

    Como uma proposta de definição para este artigo, temos que a personalidade pode ser definida como a totalidade relativamente estável e previsível dos traços emocionais e comportamentais que caracterizam a pessoa na vida cotidiana, sob condições normais. É definida pela totalidade dos traços emocionais e de comportamento de um indivíduo.

    Os TPs — Transtornos de Personalidades — são medidos a partir dos traços de personalidade de um indivíduo, trata-se de um aspecto do comportamento duradouro da pessoa; é a sua tendência à sociabilidade ou ao isolamento; à desconfiança ou à confiança nos outros. Um exemplo: lavar as mãos é um hábito, a higiene é um traço, pois implica em manter-se limpo regularmente escovando os dentes, tomando banho, trocando as roupas, etc. Pode-se dizer que a higiene é um traço da personalidade de uma pessoa depois que os hábitos de limpeza se arraigaram. O comportamento final de uma pessoa é o resultado de todos os seus traços de personalidade. O que diferencia uma pessoa da outra é a amplitude e intensidade com que cada traço é vivido.

    O transtorno ou distúrbio aparece quando esses traços são muito inflexíveis e mal ajustados. Atuados de uma forma que prejudica a adaptação do indivíduo às situações que enfrenta no decorrer de sua vida, causando a si mesmo, ou mais comumente aos que lhe estão próximos, sofrimento e incômodo. Não é incomum que os traços de caráter gerem pouco sofrimento para si mesmos, mas perturbam suas relações com outras pessoas, fazendo com que amigos e familiares aconselhem o tratamento.

    Tal realidade costuma aparecer no início da adolescência e, quando assim procede, pode tornar-se crônico (permanecem pela vida toda). Por convenção, o diagnóstico só deve ser dado a adultos, ou no final da adolescência, pois a personalidade só está completa nessa época, na maioria das vezes. É possível, no entanto, o desajuste ser notado desde a infância.

    É interessante saber que existem alguns tipos de transtornos de personalidade. Não podemos esquecer que se trata de uma classificação. Esta classificação é descritiva e, muitas vezes, não bate com a realidade prática. Algumas pessoas não se encaixam perfeitamente em um modelo; outras preenchem critérios para diferentes diagnósticos (“pitadas” de diferentes transtornos). Obviamente temos que pensar nas pessoas como seres individuais e nos sintomas como parte de uma doença ou transtorno de causa única, mas ainda não completamente conhecida.

    A verificação de alguns padrões também se dá pela manifestação em duas (ou mais) das seguintes áreas, segundo American Psychiatric Association: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4th ed. Washington, DC: American Psychiatric Association, 1994.:

 

1. Formas de percepção e interpretação de si mesmo, de outras pessoas e de fatos.

2. Extensão, intensidade, instabilidade e adequação de resposta emocional.

3. Desempenho interpessoal.

4. Controle de impulsos. 

 

    Neste Manual citado encontramos a definição de onze distúrbios de personalidade, dos quais queremos destacar apenas alguns que são mais comuns no dia a dia de nossas vivências. Pretendo fazer isso de forma lúdica e não tão sisuda.

    Cada um dos cinco tipos que descreveremos, tem características que as pessoas acham bem atraentes, embora sejam patológicos e extenuantes. Podemos encontrá-los o tempo todo e os veremos provocando problemas sérios ou não na vida das pessoas a sua volta. Estão presentes dentro de casa, no trabalho, na faculdade, na vizinhança. São, por vezes, sanguessugas emocionais.

    Tais distúrbios podem ser tão graves a ponto de receber diagnóstico oficial de distúrbio da personalidade. Esses padrões do modo de pensar e de agir correspondem aos padrões descritos no manual de diagnóstico supracitado. São maneiras como as pessoas difíceis conseguem criar dificuldades graves o suficiente para hospitalização, a leves o bastante para que se comportem normalmente até enfrentarem forte tensão. No mundo da psiquê, tudo está em progressão constante.

     Essas pessoas possuem uma percepção própria de mundo, vêem o universo existencial de maneira diferente das outras pessoas. São percep­ções distorcidas pelos seus anseios de metas imaturas e inatingí­veis. Necessitam e desejam atenção total e exclusividade. Constroem um mundo de sentimentos perfeitos que se doem altruisticamente. Anseiam por uma vida repleta de divertimento e entusiasmo e querem ter alguém que cuide de tudo o que seja chato ou difícil. Tais pessoas parecem adul­tos por fora, mas ainda são bebês por dentro. E, por este motivo, se sentem ameaçados por experiências adultas comuns como o tédio, a incerteza, a responsabilidade e ter de dar além de receber.

    A classificação dessas pessoas e personalidades se dá por distúrbios da personalidadecom os quais suas ideias e seus atos mais se parecem. Cada padrão é estimulado por umanecessidade imatura e impossível que, para a pessoa, é a mais importante no mundo. Tais indivíduos geralmente não têm consciência das necessidades pueris que os estimulam. Mais um motivo para que tenhamos consciência disso.

 

    Aguardo você no próximo post, onde trataremos do antissocial.

 

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Rev. Luiz Cláudio de Oliveira é Pastor Presbiteriano - PDCX/SRF

Psicanalista Clínico - CRPC/RJ nº 0196/12 e Designer.

Para contato: luizluizrev@hotmail.com / @revluizclaudio / facebook.com/luizluizrev

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