Música na Cabeça

24/02/2011 12:28

 

Música na Cabeça

 No avanço das pesquisas realizadas sobre os efeitos da música no cérebro, novas pesquisas apontam para a influência que sentimos sob os sons e os sintomas de bem-estar físico, mental e social-grupal.

 Rev. Luiz Cláudio

compilação

         Como um evento casual a música possui a capacidade de influenciar o sistema cerebral. Algumas partes responsáveis pela “linguagem”, “emoção” e “movimento” são mais sensíveis ao som. Desta forma, os sons harmoniosos promovem um novo sistema para a comunicação baseado mais em percepções do que em significados. Pesquisas recentes apontam a música como condutora de certas emoções conscientes: os sentimento que temos ao ouvir canções e melodias específicas são similares as emoções sentidas por outras pessoas.

        Respostas previsíveis também são evidências provocadas pela música. Ninguém escapa desta influência: recém-nascidos e adultos com deficiência cognitiva apreciam mais música. Segundo o neurologista Oliver Sacks, autor do livro “Alucinações musicais – Relatos sobre a música e o cérebro” (Companhia das Letras, 2007) e “Musicofilia” (Relógio D’água, 2008), tais influências fornecem meios para que as pessoas se conectem emocionalmente, formando vínculos, favorecendo a sobrevivência. Diz Oliver:

 “A música parece ser a forma mais direta de comunicação emocional, uma parte importante da vida humana, como a linguagem e os gestos...”

 

        Desta forma, ritmos podem favorecer interações sociais, como marchar ou dançar juntos. Os tons nos afetam individualmente e podem manipular o nosso humor e, até mesmo, a psique humana de forma mais eficaz do que as palavras.

 

      Emoção e linguagem

        Reconhecido como responsável pelo processamento dos elementos musicais mais básicos, como a frequência de uma nota e o volume, o córtex cerebral é responsável pelas áreas auditivas secundárias que digerem os mais complexos padrões musicais como harmonia e ritmo.

        Factualmente, a música excita regiões cerebrais responsáveis pelo entendimento e pela produção da linguagem, incluindo a área de Broca e a de Wernicke, ambas localizadas no hemisfério esquerdo, na superfície do cérebro. Tal fato poderia ser considerado incomum, pois a maioria das pessoas processam a linguagem principalmente no hemisfério esquerdo, mas codificam aspectos da musicalidade em regiões análogas no direito

        Os tons convocam outros sistemas do cérebro, tais como os que governam as emoções. Esta ativação simultânea causada pela música nos diversos circuitos neurais produz notáveis efeitos. A melodia faz mediação com a comunicação emotiva, como o exemplo do compositor que escreve uma lamentação, ou pancadas com ritmo empolgante, revelando não só seu estado emocional, mas faz com que os ouvintes sintam o mesmo. A música não facilita o diálogo semântico como o faz a linguagem.

        A capacidade de uma música de transmitir determinada emoção particular não depende, necessariamente, de uma base cultural, como afirma a neurocientista Isabelle Peretz e seus colegas da Universidade de Montreal, no Canadá, que descobriram uma concordância nos ouvintes do Ocidente, universalmente, sobre o fato de uma música que usa elementos tônicos ocidentais ser alegre, triste, assustadora ou tranquilizante.

        Por ocasião da III Conferência de Neuromúsica em Montreal, no Canadá, Bresin (para conhecer mais sobre o trabalho de Robert Bresin visite o sites: “http://emotion-research.net/Members/RobertoBresin” ou em “http://www.speech.kth.se/~roberto/”) apresentou a idéia de que a música contém informações que deflagram resposta emocional específica no cérebro, independentemente da personalidade, gosto ou treinamento. A música possui uma capacidade incrível de conduzir sentimentos e produzir agrupamento: na maioria das culturas, cantar, tocar, dançar e acompanhar as apresentações é quase sempre um evento comunitário.

        Mesmo entre os ocidentais, que costumam diferencias os músicos dos ouvintes, as pessoas entoam hinos em rituais religiosos, dançam em festas e boates, embalam os filhos ao som de cantigas de ninar, participam de corais e desde cedo as crianças aprendem a cantarolar Parabéns a você nos aniversários. A popularidade de tais rituais sugere que a música confere coesão social, talvez por criar conexões empáticas entre os membros de um grupo. E tudo isso acontece e é produzido no cérebro!

        Estudos comprovam que quando as pessoas ouvem música, as regiões motoras do cérebro se ativam – provavelmente com o propósito de processar o ritmo. Esse processo inclui regiões pré-motoras, que preparam uma pessoa para a ação, e o cerebelo, que coordena o movimento físico (ainda que tais movimentos sejam mais emocionais, e algumas vezes pré-conscientes do que racionais e conscientes). Há casos em que se podem, os ouvintes, entrar em verdadeiros transes, sentir e expressar coisas como movimentos corporais e sons desconexos produzidos pelo cérebro inebriado pela música e, ao findas da experiência, sente-se um prazer ou esgotamento físico controlado, contudo, quase catártico.

        Robert Zatorre, neuropsicólogo da Universidade de McGill, afirma que parte deste poder musical está numa tendência de sincronização e ecoar de nossas ações. Ele afirma:

 “Com os equipamentos disponíveis hoje já é possível enxergar como ritmo e ação ressoam no sistema nervoso; todo som é produzido por movimento, quando você ouve qualquer som algo está sendo movido (...)Quando escutamos um padrão, inconscientemente organizamos os músculos para reproduzi-lo. Dessa maneira, o ritmo também pode funcionar como uma ‘cola social’ que favorece a ligação física”

 

        De fato, é muito pequena a distância entre o andar, respirar e as batidas do coração — sons ritmados naturais.

 

      Cérebro e Corpo: até que ponto é espiritual ou emocional?

         Você já ouviu falar de Dopamina?

        Cientificamente, a Dopamina é um mediador químico (C8H11NO2) presente nas supra-renais, indispensável para a atividade normal do cérebro. Não entendeu? Então, vamos lá!

        A sensação prazerosa que sentimos ao ouvirmos música está associada diretamente com a liberação de Dopamina no cérebro, o mesmo neurotransmissor relacionado ao prazer da alimentação, drogas ou dinheiro.

        A Dopamina age em nosso corpo reforçando alguns dos nossos comportamentos mais importantes para que assim garantam a nossa sobrevivência, como a alimentação e o sexo, ou pode ainda desempenhar um papel na motivação (recompensa por um esforço ou risco, como em apostas ou uso de drogas), o que não se sabia, no entanto, era como a substância poderia estar envolvida no prazer abstrato, como ouvir música (pesquisa divulgada na revista científica Nature Neuroscience).

        Novamente, a Universidade McGill, em Montreal, no Canadá, fez pesquisas nesta área e constataram que, dos dez voluntários selecionados, com idades entre 19 a 24 anos, dentre uma lista de 217 que responderam a um anúncio solicitando pessoas que sentiam sinais de extremo prazer ao escutar música, através de aparelhos de diagnóstico por imagens, ao serem submetidos à medição para observar a liberação de Dopamina e a atividade do cérebro, ao mesmo tempo que sensores informavam a frequência cardíaca e respiratória dos voluntários, sua temperatura ou sinais de estremecimento de prazer no nível da pele. — Os resultados apontam que, pela simples antecipação de saber que ouviriam música, a Dopamina é liberada (antes mesmo do prazer associado à música ouvida), e durante o próprio pico de prazer, ou seja, no auge emocional, na realidade tratam-se de dois processos fisiológicos distintos que envolvem diferentes regiões do cérebro, durante o auge do prazer é ativado o núcleo “accumbens”, envolvido na “euforia” produzida pela ingestão de psicoestimulantes (como a cocaína), antes, no prazer por antecipação, “a atividade da Dopamina é observada em outra área do cérebro”.

      Como o esperado, a quantidade de liberação de Dopamina no cérebro do indivíduo varia conforme a intensidade da emoção e do prazer que a pessoa está sentindo, em comparação com as medições realizadas ao escutar uma música "neutra" (indiferente aos voluntários).

            O estudo ainda nos permite entender o porque da música “ser tão explorada” e de uma “forma bastante eficiente por boa parte da indústria da publicidade e propaganda”, ou até mesmo em filmes para induzir estados de humor, como um prazer abstrato, a música contribuiria, graças à Dopamina, para um fortalecimento das emoções, ao estimular noções de espera (da próxima nota, de um ritmo preferido), de surpresa e de expectativa.

 

Dopamina

       A Dopamina é um neurotransmissor, precursor natural da adrenalina e da noradrenalina. Tem como função a atividade estimulante do sistema nervoso central.

      A Dopamina também está associada ao Mal de Parkinson (escassez na via dopaminérgica nigro-estriatal) e à Esquizofrenia (desbalanceamento com excesso na via dopaminérgica mesolímbica e escassez na via mesocortical).

      A Dopamina está por trás da dependência do jogo (inclusive eletrônicos), sexo, do álcool e de outras drogas.

      Como é um neurotransmissor, a Dopamina sendo segregada pelo neurônio na sinapse, onde se combina com seus receptores específicos nos neurônios adjacentes. A Dopamina é, portanto, um neurotransmissor sintetizado por certas células nervosas que age em regiões do cérebro promovendo, entre outros efeitos, a sensação de prazer e a motivação.

    Depois de sintetizada, a Dopamina é armazenada dentro de vesículas nas sinápticas. Quando chega um impulso eléctrico na sinapse, essas vesículas dirigem-se para a periferia do neurônio e liberam seu conteúdo na fenda sináptica. A Dopamina aí libertada atravessa essa fenda e se liga aos seus receptores específicos na membrana do próximo neurônio. O neurônio que secreta a Dopamina é chamado de Neurônio Pré-Sináptico, porque a recebe antes da sinapse e o que recebe a Dopamina é chamado de Neurônio Pós-Sinaptico.

    Uma série de reações ocorre quando a Dopamina ocupa seus receptores (receptores dopaminérgicos) no neurônio pós-sináptico: alguns “iões” entram e saem desse neurônio e algumas enzimas são libertadas ou inibidas.

Após cumprir sua função (estimular o neurônio seguinte) a Dopamina é recapturada novamente pelo neurônio Pré-Sinaptico (o mesmo que a secretou) através de proteínas chamadas de transportadores de Dopamina, localizadas neste mesmo neurônio.

 

      Ação dopamínica

       A Dopamina estimula os receptores adrenérgicos1 do sistema nervoso simpático. Também atua sobre os receptores dopaminérgicos nos leitos vasculares renais, mesentéricos, coronarianos e intracerebrais, produzindo vasodilatação. Os efeitos são dependentes da dose.

      Em doses baixas (0,5 a 2 mcg/kg/min) atua predominantemente sobre os receptores dopaminérgicos, produzindo vasodilatação mesentérica e renal. A vasodilatação renal da lugar a um aumento do fluxo sanguíneo renal, da taxa de filtração glomerular, da excreção de sódio e geralmente do volume urinário.

      Em dose baixas a moderadas (2 a 10 mcg/kg/min) também exerce um efeito inotrópico positivo no miocárdio devido à ação direta sobre os receptores beta 1 e uma ação indireta mediante a liberação de norepinefrina dos locais de armazenamento. Destas ações resulta um aumento da contratilidade do miocárdio e do volume de ejeção, aumentando então o gasto cardíaco. A pressão arterial sistólica e a pressão do pulso podem aumentar, sem variação ou com um ligeiro aumento da pressão arterial diastólica. A resistência total periférica não se altera. O fluxo sanguíneo coronário e o consumo de oxigênio do miocárdio geralmente se incrementam.

      Com doses mais elevadas (10mcg/kg/min) ocorre estímulo dos receptores alfa adrenérgicos, produzindo um aumento da resistência periférica e vasoconstricção renal. As pressões sistólica e diastólica aumentam como resultado do incremento do gasto cardíaco e da resistência periférica

 

A Música influencia no corpo

       Uma das justificativas para o uso da música como terapia é que há influências no corpo através de estímulos sonoros enviados ao cérebro. Algumas abordagens de musicoterapia, de acordo com Carmem, são usadas para recuperar habilidades motoras perdidas por doenças. "Há várias formas de se trabalhar com populações diversas e até com pacientes em coma, porque existem vários níveis de coma desde o mais profundo, quando não se responde a nenhum estímulo, até um coma mais leve, quando há movimentos", completa Sampaio. Mesmo em coma, a pessoa preserva a sua memória sonora.

      A explicação para aplicação em situações como essa ou com pessoas que sofreram acidentes, tendo dificuldades de unir palavras como seqüela, é que a música processa-se no cérebro de modo diferente da linguagem falada ou escrita. Pode haver restituição do funcionamento de determinadas regiões do cérebro que não se consegue através da fala normal, segundo Sampaio. "Tanto pode ser feito com uma música tocada pelo musicoterapeuta como com uma gravação. O cérebro vai receber e processar a música de modo diferente da fala. Por isso, é que um gago pode cantar sem gaguejar", ensina.

      Uma sessão de musicoterapia dura em média uma hora e utiliza desde som, ruídos a música propriamente dita. Segundo Carmem, a musicoterapia abrange quatro áreas: a improvisação musical através dos instrumentos, corpo e voz; a recriação musical, criando algo novo a partir da música que existe; a audição musical, que é um método de passividade com a pessoa ouvindo determinadas músicas; e a composição.

      O paciente não precisa ser nenhum expert em música ou ter qualquer habilidade em tocar instrumentos para se beneficiar do tratamento. Também não existe um estilo ideal de música. Os sons são usados de acordo com cada situação e história de vida.

 

        Êxtase musical

         É muito comum em shows de rock, boates, pistas de danças, celebrações festivas, louvor em igrejas, concentrações de pessoas em lugares como apoteoses, maracanãzinho, etc., para espetáculos musicais que variam desde seculares, gospels, estrangeiros dentre outros, vermos pessoas em transe, em estados de pico pela exaltação da adrenalina influenciada pelo ambiente em questão. Somado estes sintomas à musica, que se torna um elemento fortíssimo em pessoas que, nestas condições, estão mais suscetíveis a sua influência modeladora, podemos ver resultados muito interessantes que vão além do transe comum.

        Tais pessoas normalmente saem destes episódios com a sensação de que tiveram uma experiência única (é sempre única pra elas!): um nirvana para uns, transe para outros, quase uma abdução para uns poucos e uma experiência espiritual para muitos. Mas, na verdade, ninguém transcendeu a lugar nenhum, estavam ali mesmo, na Terra, no chão, no físico e racional. Nada mais é do que uma equação: música + dopamina + cérebro = a sensações de transe, perda de controle dos movimentos corporais, excitação, motivação, êxtase, prazer... É claro que, para quem vive a experiência é natural o sentimento de autovalorização, de se enaltecer esta “coisa incrível, transcendental” que mais é uma necessidade de satisfazer a estima, as crenças fundamentadas no inexplicável (então, se explicar perde a graça!). É comum que se sintam assim! Mas lembre-se: Uma coisa “comum” não quer dizer que seja “normal”. — Tornar uma experiência intra-sensorial com resultados extra-sensoriais numa experiência transcendental ou espiritual, para alguns, pode ser fruto de uma série de coisas, mas a necessidade de tornar uma crença pessoal em algo real, e ainda baseado no empírico, no inexplicável, no milagroso, sem base comprobativa por uma necessidade pessoal de auto-valorização de um universo subjetivo particular (crença), é, no mínimo, suspeito.

        A Bíblia fala sobre fé, sobre experiências espirituais, sobre transcendentalidade, mas jamais desconectou tais realidades do campo do racional, do explicável. Ainda que algumas poucas coisas sobre este assunto, ela assuma que há explicações, mas não nesta esfera de existência. Mas também não negou que há racionalidade em tudo isso.

        O culto, lugar de adoração, onde orações e louvores são realizados, vemos que a música está presente. Veja que tais transes são comuns, inclusive na Bíblia, mas o mais parecido com o que ouvimos neste artigo, encontra-se em Corinto, a cidade reprovada pelo Apóstolo Paulo. Tais transes e atitudes cúlticas foram reprovadas pelo Apóstolo que disse que tudo deveria ser feito “com decência e ordem(1Co 14.40). Para os Romanos, o apóstolo diz: “... apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional(Rm 12.1). A espiritualidade não precisa da anulação da naturalidade para ter valor ou para que exista. O homem espiritual se manifesta no natural, e isso, pelo menos, nesta dispensação (1Co 15.44-49).

        É importante não invalidar ou desvalorizar em nossa compreensão esta grande criação de Deus, o homem natural.

 

O som da cura

         A ideia de que a música pode promover uma união não verbal ganhou apoio adicional de um estudo de 2008, feito pelos neurocientistas Nikolaus Steinbeis, do Instituto Max Planck para Cognição Humana e Ciências Cerebrais, e Stefan Koelsch, da Universidade de Sussex, na Inglaterra. Eles usaram ressonância magnética funcional para mostrar que determinada área do cérebro respondia a acordes, mas não a palavras, em um teste no qual os voluntários escutavam ambos. A região responsiva era o sulco temporal superior: uma parte da superfície cerebral, perto dos ouvidos, que responde a pistas sociais não verbais – como movimentos corporais e olhares. A ativação dessa região indica que a música pode ajudar a forjar laços sociais. Qualquer que seja sua origem, tal coesão é extremamente valiosa para animais comunitários, como nós, e por isso traços que aumentam tal unidade tendem a persistir ao longo das gerações.

        A base de nossas impressões conscientes a respeito de um tom são os efeitos fisiológicos. Estudos mostram que a música alegre, tensa ou empolgante pode excitar fisicamente o ouvinte, desencadeando resposta de luta e fuga: as taxas cardíacas e respiratórias aumentam, a pessoa pode suar e a adrenalina penetra na corrente sanguínea. Esse efeito explica por que tantas pessoas gostam de ouvir rock ou hip-hop enquanto fazem ginástica – a música instiga respostas do sistema fisiológico para a execução de movimentos de alta energia. O efeito psicológico também é importante: a distração torna o exercício mais divertido. De forma geral, melodias energizantes tendem a melhorar o humor, nos deixando mais despertos quando estamos cansados e criando sensação de empolgação.

        Por outro lado, a música pode acalmar, reduzindo os níveis do hormônio do estresse, o cortisol, na corrente sanguínea, baixando as taxas cardíacas e respiratórias e aliviando a dor. Um exemplo clássico de redução de ansiedade: uma mãe acalentando seu bebê com uma canção. Estudos clínicos também revelam que a música é uma poderosa ferramenta para relaxar os pacientes que sofrerão uma cirurgia, ajuda a controlar a dores e a amenizar a agitação de crianças e pessoas com demência. Em 2000, a enfermeira Linda A. Gerdner, pesquisadora de temas ligados a gerontologia na Universidade do Arkansas para Ciências Médicas, apresentou a 39 pacientes severamente atingidos pelo Alzheimer a música de que gostavam, duas vezes por semana, durante um mês e meio. A canção favorita reduziu os níveis de agitação dos pacientes durante e após a sessão muito mais que as clássicas músicas de relaxamento. Neurocientistas também constataram que ouvir uma música muito apreciada pode reduzir a dor – e esse efeito analgésico persiste por algum tempo quando a música para. E, claro, intuitivamente, as pessoas se automedicam com música o tempo todo. É comum que as pessoas as usem com o propósito de melhorar ou alterar o estado emocional. Cientistas se perguntam se, dada a indiscutível atração humana pela música, seu processamento poderia ter uma raiz única no cérebro, além da “carona” que pega em outros sistemas. A literatura médica registra diversos danos que prejudicaram a capacidade de uma pessoa sentir emoções inspiradas pela música, mas não por outros estímulos. Lawrence Freedman, um amigo de Sacks, por exemplo, perdeu sua paixão por música clássica depois de uma concussão em um acidente de bicicleta. Freedman ainda podia reconhecer os clássicos que costumava adorar e ainda se sentia emocionado por artes visuais e outras experiências, mas a música já não lhe dava prazer algum. Possivelmente, o acidente danificou uma parte do cérebro dedicada especificamente ao entusiasmo por essas formas de expressão, embora ninguém saiba exatamente que área cerebral é essa.

        Outros pesquisadores discutem que a música tem origens independentes porque a capacidade de apreciá-la parece já estar definida no nascimento. Vários estudos mostram que muitos bebês prestam rapidamente atenção a canções e parecem preferi-las à fala. Em trabalhos publicados em julho de 2008 na Nature Precedings, as neurocientistas Maria Cristina Saccuman e Daniela Perani, da Universidade Vita-Salute San Raffaele, na Itália, mostraram que a música ativa regiões no cérebro de recém-nascidos de forma semelhante ao que acontece com ouvintes de outras idades. Elas usaram ressonância magnética funcional (RMf) para ver como o cérebro de crianças com 3 dias de vida respondia a música clássica e encontraram um padrão que espelhava o processamento em adultos: o sistema auditivo do hemisfério direito dos pequenos respondia mais fortemente que o esquerdo. Os pesquisadores também alteraram a música, cortando uma parte da peça e pulando para outra nota ou tocando todo o segmento só com batidas. As passagens mais estridentes ativavam o córtex inferior frontal esquerdo dos recém-nascidos, uma área implicada no processamento da sintaxe musical em adultos, e o sistema límbico, responsável pelas respostas emocionais –assim como ocorre nas pessoas mais velhas, o que levou a uma conclusão: o cérebro parece nascer pronto para processar música.

        Acredita-se que essa prontidão inata esteja ligada à forma melódica peculiar que adultos usam para falar com bebês. A adoção universal desse recurso levou alguns especialistas a especular que esse pode constituir um momento inicial original tanto para música quanto para linguagem. Especialistas como o arqueólogo cognitivo Steven Mithen, da Universidade de Reading, na Inglaterra, teorizam que a linguagem e a música evoluíram a partir de uma protolinguagem musical usada por nossos ancestrais. Estruturas de cordas vocais de neandertais e outros hominídeos extintos sugerem que eles poderiam cantar. E eles certamente tocavam instrumentos, pois pesquisadores recuperaram flautas pré-históricas feitas de ossos. Talvez nunca saibamos por que a música existe. Ainda assim podemos usá-la para nos animar ou acalmar, amenizar dores e ansiedade ou formar vínculos.

 

NOTAS BIBLIOGRAFICAS

 

Revista Mente e Cérebro

http://saude.terra.com.br/interna/0,,OI193820-EI1520,00-A+musica+e+o+cerebro.html

Intensely pleasurable responses to music correlate with activity in brain regions implicated in reward and emotion. A. Blood e R. Zatorre, em Proceedings of the National Academy of Science 98, págs. 118818-11823, 2001.

The emotional sources of “chills” induced by music. J. Panksepp, em Music Perception 13, págs. 171-207, 1995.

Emotional sounds and the brain: the neuro-affective foundations of musical appreciation. J. Panksepp e G. Bernatzki, em Behavioural Processes 60, págs. 133-155, 2002.

http://www.drauziovarella.com.br/ExibirConteudo/379/a-mente-musica

http://www.alert-online.com/pt/magazine/descoberta-razao-pela-qual-a-musica-provoca-prazer

http://www.portaldascuriosidades.com/forum/index.php?topic=81985.0

 


Adrenérgicos - Os receptores adrenérgicos ou adrenorreceptores pertencem a classe de receptores ligados à proteína G e que são alvos das catecolaminas. Os receptores adrenérgicos são ativados por seus ligantes endógenos, as catecolaminas: adrenalina  (epinefrina) e noradrenalina  (norepinefrina). — Muitas células possuem estes receptores, e a ligação de um agonista geralmente causará uma resposta simpática, ou seja, respostas de luta ou fuga. Por exemplo, a frequência cardíaca aumenta, as pupilas se dilatam, há a mobilização de energia e o fluxo sanguíneo é desviado de órgãos não-essenciais para o músculo esquelético.

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