O perjúrio[1] e a Imagodei[2]

 

Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança;...” “...e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível...” – Gênesis 1.26; Rm 1.23.

 

Quando Deus criou o homem Ele estava assinando sua obra. A perfeição que havia em toda a Criação recebia na pessoa de Adão, na pré-queda, o aval divino para dizer “está obra tem dono!” Assim como todo pai gosta de olhar para seu filho e dizer “ele é a minha cara!”, assim também Deus estava dizendo: Quando olharem para o homem, verão a Mim. Deveria ser assim, o homem não era somente o representante de toda a humanidade, mas também um autógrafo[3] de Deus para toda a criação. — Mas então veio a Queda, e tudo isso se perdeu!

Em Cristo, o autógrafo perfeito de Deus, esta imagem e a semelhança são resgatadas na vida de “todo o que nele crê” (Jo 3.16). Mas, a grande questão está na finalidade desta imagem na vida do homem, pois, como na sua origem, tal imagem serve para testemunhar de Deus, apontar para Ele, para representar sua pessoa, de permitir que espelhemos o Criador dos céus e da terra. Mas, será que quando olhamos para a atual igreja, sim, a igreja de nossos dias, é isso que temos encontrado? Temos encontrado a imagem e semelhança de Deus? Quando as pessoas olham para nós, elas podem reconhecer a pessoa de Deus, suas ações e presença?

Na “nota de rodapé” desta pastoral, referente à palavra perjúrio, encontramos como conceito deste termo que perjúrio é um “testemunho falso”. As pessoas que “dizem” receber a Jesus como seu único e suficiente salvador, cometem perjúrio quando representam a Deus de outra forma que não seja a manifestação fiel de seus adjetivos celestes. — Mau testemunho, mentiras, desamor, falsidade; palavras, gestos, atitudes e pensamentos nascentes da carne – tudo isso –, são perjúrios da imagem e semelhança de Deus que “deveria” ser vista na vida daqueles que se autodenominam Igreja.

Como fica a nossa coragem para orar pedindo por um mundo melhor que nós mesmos éramos responsáveis por zelar, pelo menos, em nossas próprias vidas? Não estaríamos colhendo o que plantamos quando cometemos perjúrio de nossas promessas feitas no altar no dia do batismo? Quando afirmamos uma fé irreal como ato de perjúrio? Quando vivemos uma, duas ou mais vidas diferentes dentro e fora da igreja? Não estaríamos cometendo crime de perjúrio ao orarmos pelas bênçãos e o conserto de Deus, enquanto afirmamos sermos a imagem e semelhança de Deus, mas a imagem e a semelhança que as pessoas vêem em nós aponta para outra coisa?

Note a força da tragédia encontrada nas palavras de Paulo, em Romanos 1.23, ou quando fala das obras da carne na vida de crentes em Gálatas 5.19-21. Nós fomos chamados para darmos testemunho de Cristo, Ele que é o perfeito reflexo de Deus, para todas as nações (At 1.8), e isso é a missão da Igreja.

Não é missão da Igreja sonhar com TVs de LCD com imagem full HD (ainda que as possuamos). Ou viver em busca constante de sucesso financeiro, profissional, de sonhos que são diferentes dos que Deus sonhou para nós. Nossa missão maior é sermos imagem e semelhança de Deus aqui neste mundo atípico para nós.


Se você “verdadeiramente” teve um encontro com o Cristo, reconheceu seus pecados e recebeu dEle uma nova vida, é porque recebeu também um chamado para ser testemunha de Jesus, de espelhar a imagem e semelhança de Deus onde quer que você esteja neste mundo.

 

Ore comigo: ­– Senhor é meu desejo ser um reflexo de Ti nesse mundo. Sei que minha luta contra a carne é incessante e, com isso, preciso me conscientizar de que sou nova criatura em tudo que sou e faço. Te peço que não desampare este teu servo e permita-me refletir a tua luz onde quer que eu esteja. Não permita, meu generoso Senhor, que qualquer outra imagem reflita em mim, que não seja a Tua imagem e semelhança. Em nome de Jesus, Amém.


 
 
 
 
 
 

 

 


[1] Perjúrio é um termo forense que significa um “falso testemunho”, ou “testemunho falso” propriamente dito. O conceito de perjúrio na língua Portuguesa é “1. ato ou efeito de perjurar; 2. falso juramento; 3. Rubrica: termo jurídico – crime de falso testemunho ou de falsa acusação; testemunho em que se afirma, em prejuízo de outrem ou da justiça, algo que a testemunha sabe ser falso” (HOUAISS).

[2] Imagodei – Termo teológico para Imagem de Deus.

[3] Autógrafo de Deus – A teologia interpreta Jesus Cristo em Hebreus como o perfeito “autógrafo” de Deus. O termo grego “χαρακτὴρ” (Character) em Hebreus 1.3 representa “expressão exata (imagem) de alguém ou algo, semelhança marcada, reprodução precisa em todos os aspectos” (Strong, James ;   Sociedade Bíblica do Brasil: Léxico Hebraico, Aramaico E Grego De Strong. Sociedade Bíblica do Brasil, 2002; 2005, S. H8679).

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Pastoral

Pendências

Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.” — Mateus 5.23,24

 

       O evangelicalismo brasileiro e sua tendência cada vez mais mercadológica[1] do que bíblica tem abarcado em seu bojo uma série de novas conceituações (muitas antibíblicas), que interferem diretamente no modus vivendi[2] do cristão. Numa forma bem no estilo “curta e grossa” o crente de nossos dias convive muito bem com a dualidade entre o profano e o sagrado, da santidade e do pecado. A cauterização mental (e também do coração), instrumento esse que é do agrado da antiga humanidade[3], de muitos que frequentam igreja (alguns até fazem parte de rol de membros) é um forte instrumento para a cegueira espiritual e facilitador para a satisfação dos desejos da carne.

       Desta forma temos enxergado, com muita facilidade, “crentes” que praticam todo o tipo de iniquidade velada ou pública, pessoais ou gerais, e que continuam convivendo na comunidade chamada “santa” com títulos de “santos”, mas com vidas machadas denegrindo o evangelho anunciado pelo testemunho, bem como a comunidade em que vivem. — A batata podre de um saco de batatas (sabemos bem o que acontece com o saco todo!).

       É impressionante também como a consciência cauterizada[4] de muitos permite que acreditem na possibilidade de serem aceitos por Deus como adoradores com uma vida manchada pela falta, pelo pecado, pela transgressão da lei de Deus. — Não são dizimistas, são faltosos, são amantes da promiscuidade, amantes do erro, da falcatrua, da politicagem, da falta de amor ao próximo, do sentimento de exclusão do outro, da justificação pessoal em favor de causa própria, não há espaço em suas vidas para o “irmão”, “o próximo” e conseguem viver bem com isso. Sentem-se saudáveis na fé, saudáveis diante de uma condição biblicamente reprovada por Deus.

       Este é o caso da nossa pastoral, na qual vemos no texto bíblico exatamente Jesus, em uma de suas expressões contundentes, apontar essa realidade já presente em sua época.

       A ausência de comunhão, de faltas de todos os sentidos, anula a possibilidade de nossas ofertas serem aceitas diante de Deus. E o remédio apresentado pelo Cristo para a cura desta enfermidade evangélica é o conserto, a anulação da falta, a correção do erro.

       É bastante interessante que a questão do mestre coloca no cetro do palco da vida “o outro” e não “o nós”. Ele diz que se nossa consciência nos acusa, nos lembra de que “o outro” (e não “o nós”) tem algo contra “nós”; bem diferente de “nós termos algo contra o outro”, é hora de reavaliar. — Uma das consideração primárias de base da manutenção dos relacionamentos cristãos é “o outro”. A opinião do outro é importante no Reino de Deus. O que o outro sente é valorizado na visão de Cristo. Não posso viver minha vida cristã sem o outro!

       Cristo afirma: — “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua ofertaali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta...” 23,24a. Amados irmãos, posso afirmar, baseado na força da convicção destas palavras de Jesus, que não podemos estabelecer um link com Deus se não conseguimos estabelecer um link com nossos irmão.

       A afirmação do Cristo é que a adoração, seja qual for a sua “oferta espiritual”, não pode ser oferecida, se “te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti. Ela é barrada! Ela é impedida pela consciência, pelo desamor, pela facilidade de negligenciar o próximo, de excluí-lo. É no nosso coração que encontramos a base de nossas ofertas, e se o próximo não estiver lá, você também não pode estar.

       É muito mais fácil lidarmos com isso no campo de nossa consciência, pois podemos permitir que ela seja “cauterizada”. A cauterização cria uma nova camada sobre a antiga escondendo a realidade que está embaixo dela, mas que continua lá. — E dói muito remover esta camada! Dói ter que encarar nossa vergonha! Dói, magoa, abala termos de encarar o problema. Mas a dor maior é no nosso ego! Em termos que reconhecer “estou errado”, quando “minha justiça pessoal” insiste em achar que estou sempre certo (afinal, todas as nossas motivações da mente sempre trabalham para favorecer nossos prazeres e satisfações! É o nosso ego trabalhando sempre a favor de nossos instintos naturais e humanos, ou seja, nossa natureza).

       Mas o servo, cuja natureza é transformada, que mesmo sendo humano e passível de erros, mas seu espírito é vivificado, portanto, nova criatura; este não oferece resistência a voz do Espírito, este reconhece o erro e segue em direção ao conserto oferecido por Deus. Impedido por uma falta, o servo bom e fiel, segue o caminho de reconciliação, o caminho que permite, que uma vez atendida a exigência divina para, a sua oferta AGORA pode ser aceita diante do altar.

       Diz Jesus: — “...deixa perante o altar a tua oferta...”24a. Para o crente fiel, esta é uma ação temporária, pois seu coração estima o conserto, e não poupará esforços para reassumir o seu direito de ser aceito DENTRO das exigências divinas.

       Depois, Jesus continuou: — “vai primeiro reconciliar-te com teu irmão” 24b. Como uma equação, Jesus descreve a hierarquia da fórmula que funciona para Deus. Antes de qualquer oferta (adoração, louvor, oração, dízimos, et ceteras) deve haver a reconciliação. Veja a ênfase na expressão que hierarquiza esta forma “vai PRIMEIRO reconciliar-te...”. Então, mais importante que a oferta é a comunhão dos santos, a comunhão com o próximo, vida de comunhão. E isso também é uma oferta que agrada a Deus: vida de comunhão. Esta deve ser a primeira oferta, que conduz as outras.

       Agora sim, Jesus finaliza: — “...e, então, voltando, faze a tua oferta 24c. Agora sim! Cumprida as exigências do Corpo, onde Cristo é a Cabeça, toda a conexão fica aprovada. E como é bom saber que nossa oferta é aceita e aprovada por Deus!

       Os consultórios de Psicanálise estão repletos de casos assim, de pessoas que carregam verdadeiras e enormes feridas em suas consciências que acarretam em almas enfermas. É numerosa a quantidade de pessoas que sofrem por causa das “pendências” que deixamos ao longo do caminho. Pendências de ódio, de preconceito, de rancores, de inimizades, de palavras mal proferidas, de injustiças que privilegiam nossas própria justiça e não a de Deus, de atitudes de isolamento do outro, de falta de amor, falta de comunhão, falta de ... reconciliação!

       É interessante que a raiz desta causa é um mal espiritual, mas, segundo Jesus, a solução tem como parte, uma ação real, material, efetiva de enfrentar o problemaÉ preciso encarar o problema, encara-se a si mesmo, destronar o ego (EU) para permitir uma coexistência comunitária, sem a qual nunca haverá um corpo. É no retorno ao próximo que nos encontramos conosco, com Deus e sua aprovação. É preciso vencer a resistência, vencer a nós mesmos, vencer o nosso mundo ideal e aceitar o mundo ideal de Deus em nossas vidas. Saia do “centro” de sua vida, ele não te pertence mais! O centro é Jesus, ou você não mudou em nada.

       Onde está sua oferta agora? Antes do altar? Ou esperando seu retorno para apresentá-la?

       Que Deus lhe abençoe nessa jornada!

 

        Ore comigo!: - Senhor, não permita que, uma vez parte do teu corpo santo, eu jamais esqueça de que sou parte dele "com" o meu próximo e de que minhas ofertas devem ser entregues por mãos santas e em comunhão com teu corpo todo. Reconheço minha dependência de Ti para que cumpra bem essa missão, de cuidar da manutenção de minha santidade e da minha comunhão com Teu corpo de forma que minha consciência jamais me acuse diante de Ti e de meus irmãos. Isso porque desejo que minha consciência esteja limpa e segura na realização da Tua vontade. Ajuda-me, Senhor. - Em nome de Jesus, amém.



Glossário

[1] Mercadológico – (ver. marketing) – segundo os melhores dicionários o termo é culto e seu uso existe na norma culta. Entretanto, seu conceito é derivado ou “importado” da expressão americana “marketing”. Assim temos que, mercadológico é tudo que vem de “1. estratégia empresarial de otimização de lucros através da adequação da produção e oferta de suas mercadorias ou serviços às necessidades e preferências dos consumidores, para isso recorrendo a pesquisas de mercado, design de produtos, campanhas publicitárias, atendimentos pós-venda etc. 2. conjunto de ações, estrategicamente formuladas, que visam influenciar o público quanto a determinada idéia, instituição, marca, pessoa, produto, serviço etc” (DIC. HOUAISS).

[2] Modus vivendi – do latim, modo de viver, de conviver, de estilo de vida.

[3] Antiga humanidade – A humanidade que existia antes de se sofrer um encontro com Cristo, aquela que é TOTALMENTE escrava do pecado e sem condições de estabelecer vínculos com o divino bem como de reconhecer coisas espirituais (Is. 43.18,19; Ez 11.19,20; Jo 6.50-60; Rm 2.6-8; 14.1-14; 1Co 2.14,15; 2Co 5.17-21; Gl 2.20; Ef. 2.10; Cl 3.9,10 1Tm 2.1-14; 1Pe 3.18-22; 2Pe.1-4; Ap 2.10)

[4] Consciência cauterizada – 1Tm 4.2 – “...pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência,...”. Expressão que exprime uma pessoa cuja consciência já está cauterizada, isto é, a consciência já se encontra neutralizada para as coisas de Deus, a influência do sagrado.

 

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Autossatisfação, uma escolha perigosa!

1Samuel 8.1-22

 

Qual tem sido sua escolha       Na ética do trabalho, Calvino, diz: “Se seguirmos fielmente nosso chamamento divino, receberemos o consolo de saber que não há trabalho insignificante ou nojento que não seja verdadeiramente respeitado e importante ante os olhos de Deus[1]. Calvino defendeu três princípios éticos fundamentais: Trabalho, Poupança e Frugalidade. É sobre esta última que quero lançar mão.

       A ética cristã nos dirige sempre ao próximo como parte direcionadora de nossas ações e vida. Não podemos, de forma alguma, fazer planos e executá-los de forma a desmerecer a condição do próximo.

       O texto de 1 Samuel 8ss, traz em seu contexto um momento de extrema tensão: o povo rejeitava a Deus motivado pela soberba (de desejar ter as rédeas de seu destino), pela inveja (pois desejavam ser como os povos pagãos) e pela autossatisfação (pois colocavam suas satisfações pessoais acima dos propósitos de Deus).

       É próximo ao final do texto que enxergamos os verdadeiros motivos pelos quais, segundo o próprio Deus, estavam rejeitando ao governo divino. No versículo 20, diz a Palavra: — “Para que sejamos também como todas as nações; o nosso rei poderá governar-nos, sair adiante de nós e fazer as nossas guerras”.

       A vida frugal que Deus lhes concedia não era mais suficiente ao apetite soberbo do povo. Queriam ter a riqueza, o status, a glória, enfim, a luxúria pagã. Queriam alguém que lhes dessem isso. E sabiam que, da parte de Deus, jamais receberiam tal realidade.

       Usaram a velhice de Samuel (v.5) como desculpa (esfarrapada!) para requererem a autossatisfação de suas concupiscências e, outra vez, trocavam o Senhor por outro deus (v. 8; Êx 20.3).

       É importante atentarmos para este perigo, pois, muitas vezes, nós também podemos cometê-lo quando temos de fazer certas escolhas em nossas vidas — Seja diante de oportunidades de empregos, na hora de realizar uma prova, na escolha de uma música, numa eleição de oficiais, etc.

       É perigoso quando a  base de nossas escolhas só é medida pela autossatisfação, isto é, o desejo de agradar a nós mesmos no lugar de agradar a Deus. Nosso coração corrompido (Jr 17.9) pode ser, por fim, um aliado contra nosso espírito transformado.

       Por este motivo, relembro as santas e sabias palavras do Senhor Jesus Cristo sobre a fragilidade de nosso arbítrio: — “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41; Mc 14.38).

       No caso específico de Samuel, Saul e o povo, podemos perceber que Deus disciplinou o povo dando justamente o que pediram. E quantas vezes também não foi assim conosco? Quantas vezes, a correção divina veio através daquilo que justamente requeremos de Deus? Cuidado com a autossatisfação em lugar da satisfação de Deus por sua vida. Não brinque com isso! Vote, eleja, opte, siga sempre por aquilo que Deus, em sua Palavra, já determinou e tem como correto!


[1]  João Calvino, A Verdadeira Vida Cristã, São Paulo, Novo Século, 2000, p. 77.

 


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Pastoral

Vamos tentar outra vez?

Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco.” – Filipenses 2.8,9.

 

Mais um ciclo se completa e, com ele, diversos sonhos foram concretizados conquanto outros adiados. A vida cristã não é uma vida sem objetivos, porém, suas metas são alcançadas com muita obediência, abnegação, resignação, renúncias e a dependência total de Deus.

Impressionantemente, é justamente quanto falhamos em alguns destes quesitos que nos dispomos a errar o alvo e, com isso, adiamos o título de “crentes melhores” que poderíamos ter alcançado.

Independente dos motivos serem místicos ou movidos apenas pela esperança, muitos de nós ainda renovam suas expectativas de melhoras para o próximo ano. Há aqueles que sempre dizem: – “Ano novo é renovação!” ou “Queremos um ano melhor para o próximo ano!”. E isso me lembrou uma ilustração:

Certa vez, uma pessoa e o ano novo foram convidados para uma entrevista de auditório muito interessante. No final da entrevista, que já beirava o horário do ano novo, o entrevistador perguntou a pessoa convidada sobre o que ela queria do novo ano que estava prestes a chegar. E ela respondeu: — Desejo um ano melhor para todos. E quando a pergunta foi feita ao ano novo, ele respondeu: — Eu desejo pessoas melhores!

A recomendação do apóstolo Paulo para os Filipenses era que as coisas que fosse divinamente inspiradas e aprovadas deveriam nortear o comportamento e habitar a vida dos crentes de Filipos. E ainda termina assumindo a difícil função de ser exemplo divino na sociedade em que morava, sendo que os ensinos bíblicos deveriam liderar o pensamento e a ação do povo.

Amados no Senhor, não são anos melhores que fazem pessoas melhores, mas são pessoas melhores que produzem anos melhores.

Que seja este o seu objetivo para o novo ano. Que seja a leitura da Palavra, a oração, a comunhão com Deus e com a igreja, e uma vida ilibada, a primeira estrutura de sua vida, de sua casa, de seu trabalho e na sociedade em que viver. Precisamos de crentes melhores para os novos desafios de 2013.

 

Rev Luiz Cláudio

 

Pastoral

O verdadeiro convite do Natal

...eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria (...) hoje vos nasceu (...)o Salvador, que é Cristo, o Senhor” — Lucas 2.10,11.

 

       Lembro-me do nascimento de meu filho Samuel e de como fiquei alegre em tê-lo comigo. Lembro-me da euforia e da empolgação que fizeram de mim um “locutor” de seu nascimento. Era festa! Queria dizer a todo mundo o quanto eu estava feliz pelo evento do seu nascimento e queria também que todos participassem. — Com Deus não foi diferente! O Senhor dos céus e da Terra convocou uma milícia (!) de anjos (vs. 2.13) para anunciar o nascimento[1] de seu “pimpolho” divino que chegava entre nós.

       É constrangedor observar o cenário que embelezava este convite. Não havia luminárias, enfeites, aparatos tecnológicos, nada que ofuscasse o verdadeiro “brilho” daquele momento. Só havia uma manjedoura coberta de palha numa penumbra noturna no local onde uma mulher precisou dar à luz um bebê em condições precárias, um pai emprestado que acolhia ao bebê com amor e obediência e alguns animais à volta que tornava aquele lugar pouco próprio as condições sanitárias (até mesmo daquela época). Os pastores que chegaram, que foram convidados (sim, não foi a alta-roda de Belém que foi convidada. Foram os mais humildes e esperançosos daquele momento), logo ao adentrarem, vislumbraram o “verdadeiro natal”.

       Nossa época é formada pelo “super”, o “mega”, por tudo aquilo que é altivo. Não queremos simples luzinhas, mas mega faróis, luzes tecnologicamente perfeitas. Não queremos mais o simples, o singelo, o básico (isso não nos cativa mais). Queremos “o presépio” todo enfeitado, com bastante coisa. Os personagens que compunham o cenário do presépio já não são suficientes! Criamos novos e fictícios personagens. Tornamos os principais em coadjuvantes, tiramos de cena a mesmice e substituímo-la pela novidade com prazo de validade. O motivo principal do natal está esmagado dentro dos presépios tecnologicamente engendrados, enterrado dentro de tantos enfeites, brilhos, paetês e novos personagens bem diferentes do presépio cristão original.

       O convite do Pai era simples, com cenário simples e de gente simples. Não tinha como não entender, nem como não perceber o “recado de amor” contido naquele convite. Era a resposta às esperanças da humanidade.

       Eu gosto de enfeites, de fazer as coisas ficarem bonitas. Mas devemos ter o cuidado de não ferir a beleza real e natural do cenário da vida. Quando os enfeites nos fazem perder o foco, a beleza real se perde. Os enfeites não podem sustentar a esperança que há no verdadeiro convite do natal.

       Desejo um feliz natal a todos! Mas também desejo que tenhamos cuidado em construir um presépio em nossas vidas que não perca o foco e o brilho originais criado por Deus. Que todas as luzes e enfeites sirvam para enaltecer e transparecer cada vez mais “o Salvador, que é Cristo, o Senhor”.

 

Rev Luiz Cláudio

 


[1] O nascimento de Jesus era o cumprimento da encarnação do Verbo divino (João 1).

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Pastoral

Humildade e Consciência

“Quem é o maior no Reino dos céus?” (Mateus 18.1-14)

 

       Em tempos de estrelismo e enaltecimento de Egos, quase tudo tem sido utilizado para este fim. O conceito bíblico de humildade contradiz a conduta de muitos que estão a procura num lugar debaixo dos holofotes eclesiásticos na igreja e nas mídias.

       O não tão desconhecido afastamento das Sagradas Letras e o pouco observado racionalismo bíblico (que agrada a Deus no seu culto, segundo Rm 12.1 e 2), continua a ser a razão do exacerbado emocionalismo cristão que conduz, com pouquíssimo entendimento lógico-bíblico, os passos da igreja institucional.

       A humildade bíblica, a que Jesus se refere no contexto do texto base, quando segura uma criança em seus braços (cf. Mc 9.36), em resposta da pretensa questão de seus discípulos, também tem sido alvo de estrelismo (que, por natureza, contradiz a essência da palavra humilde) e tratada como objeto de exaltação pessoal.

       Neste texto, Jesus não desmerece as qualidades da criança, mas aponta (não exalta!) esta característica. — Humildade não quer dizer ausência de “grandezas”: Uma pessoa pode ser culta, ou ter muitas posses, ou ter títulos etc., e, ainda assim, ser uma pessoa humilde. Em contrapartida, uma pessoa pode ter parcos recursos, não ser alfabetizada, não ter títulos e ser soberba. (Cf. o exemplo de Zaqueu e o Jovem rico). Contudo, humildade é característica dos salvos. Disse Jesus: — “... quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus” (NVI – Mt 18.4). Humildade está presente na ação daquele que é convertido, consiste numa mudança completa, a negação de si mesmo e o recebimento de Cristo como seu Salvador e Senhor. É o que chamamos o “novo nascimento” (João 3:1-21) um novo nascimento – espiritual. Aos humildes é dado o destino de SERVIR (Mc 10.43,44).

       Esta é a consciência de todo aquele que foi salvo por Jesus Cristo, o servo consciente sabe que por maior que seja a sua(s) grandeza(a), ela vem de Deus para seu serviço pois, sem ela, nada podemos ter de nós mesmos. Quando somos seduzidos pelo apelo da exaltação pessoal é necessário avivar a consciência para esta realidade: nossa total dependência do Criador. O Ego é um grande inimigo nesta hora! Mas isso é um ensino para outra oportunidade. — Que o Senhor te faça grande, mas humilde na Sua Presença.

Rev Luiz Cláudio

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Pastoral

A obediência e o servo bíblico

“Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?” – Lucas 6.46

 

    Cabe uma explicação sobre o termo “servo bíblico”. Isso porque muitos são os que se apresentam como servos, e ainda dizem que são servos de Jesus Cristo; mas há uma ressalva a se fazer: o verdadeiro servo de Jesus Cristo é o servo bíblico, isto é, o servo que a Bíblia expõe para essa titulação tão nobre e importante.

      Numa época em que cada um descreve a religião conforme o bel-prazer, é comum que as características e conceitos desta religião se acomodem a sua “leitura pessoal” também.

      Após a escolha de seus doze discípulos pessoais (aqueles que estariam mais perto do mestre, como de costume no rabinismo), Jesus começa então os seus ensinamentos acerca do reino dos céus (6.14-31). Era também o início do treinamento de seus discípulos, aos quais incumbiria, depois de sua partida, que dirigissem seu povo. A partir do versículo 32, o ensinamento se mantém sobre a base da reciprocidade e do amor ao próximo, mas convida também para um “olhar” particular de auto-análise moral. — Jesus começa a estabelecer os conceitos como frutos de uma base interior, que vem da verdade que há dentro de cada pessoa (6.32-38).

      É a partir do versículo 40 que Jesus fala diretamente ao coração dos discípulos que acabaram de ser escolhidos como os doze discípulos de Jesus. E coloca sobre eles a incumbência primaz de servirem de “exemplo para os outros”. — Agora veja: nos versículos 40 e 46, o Mestre cerceia a base do discipulado, daquele que seria reconhecido como verdadeiramente servo de Jesus Cristo. No versículo 40 – o servo não está acima do Senhor, mas pode ser como o Senhor; e no 46 – o servo é aquele que “obedece” literal e inteiramente seu Senhor.

      O verdadeiro servo bíblico de Cristo é aquele que reflete o seu mestre e Senhor por meio de uma obediência cega e total.

      Perceba que Ele diz “O discípulo não está acima do seu mestre...”, mas agora veja o complemento: “...todo aquele, porém, que for bem instruído será como o seu mestre”(v.40).

      Agora, perceba que no versículo 46, Jesus questiona a validade de uma servidão sem obediência, quando pergunta: “Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?”.

      Podemos concluir, portanto, que o servo bíblico (que a Bíblia ratifica como servo) é aquele que “ao ser bem instruído pelo mestre (Jesus), torna-se como Ele, e tal instrução é alvo de obediência; pois, se for instruído e não obedecer a instrução, como poderá chamá-lo de Senhor?”.

      Que possamos ser considerados servos bíblicos, verdadeiros seguidores obedientes das instruções do mestre.

Rev Luiz Cláudio

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Bondade Prática

"Vai e procede tu de igual modo" - Lucas 10.37

      Não importa a denominação, seu nível de escolaridade, suas origens ou como você vê a vida, a Bíblia insiste em lhe dizer que, para Deus, importa como você é segundo a vontade dEle.

      Seu sucesso, seus bens, seu status, quem você é para o mundo não é nada perto do que você tem de ser para Deus. Ele não tem obrigações ou compromisso com os meus ou os seus planos, o compromisso divino é com os planos que Ele criou. Portanto, você poder ser visto como uma grande pessoa de bem, alguém bondoso que é estimado por todos, mas se você não viver ou construir sua vida embebida nos paradigmas divinos, de nada lhe adiantará (1Co 13.1-3).

      A parábola do Bom Samaritano, que embala tantos corações, que está nos quadrinhos das paredes dos corredores de tantas residências, que é estampada em panos de prato, que já foi o tema de pintores famosos, traz, em sua enormidade de ensinamentos, um quesito importante para a bondade segundo Deus. — Bondade deve ser fruto de um amor genuíno e incondicional, que nos leva a torná-lo visível, palpável, sensível, material e curador.

      Diferente dos outros dois personagens, de quem esperaríamos certa obrigação em demonstrar a prática do bem, o samaritano, como narra Jesus, naturalmente e sem esforço ou reflexões incentivadoras, age. Ele demonstra uma bondade que está muito acima da intervenção humana, dos dogmas institucionais de sua época, da cultura em que foi oprimido. Uma bondade que não pode ser alcançada pelo preconceito de um sacerdote e do levita que amedrontados pelo que insinuariam deles se tocassem um moribundo ou do quanto ficariam impuros se houvesse envolvimento com o caído (segundo a lei do levirato – ainda que a lei fizesse referência apenas ao sacerdote e não ao levita). Estudos nos conduzem a conclusões que estes dois são totalmente responsáveis pelos seus atos de desumanidade.*

      Portanto, o samaritano é o representante central, nesta parábola, do amor de Deus que se manifesta tangível como não poderia deixar de ser. Neste personagem de Jesus, encontramos uma bondade prática, que vence qualquer barreira para existir, que aponta para um homem que age naturalmente, que tornou, em sua própria personalidade o “ser assim”. “Ele não agiria de outra maneira” – é o que Jesus quis ensinar! Por isso ele termina a sua resposta ao interprete da Lei dizendo: — “Vai e procede tu de igual modo”.

      Em uma época em que a igreja assume um papel de bondade estagnada, onde o pecador, o moribundo, o necessitado é quem tem que se deslocar para receber as migalhas de pessoas que deveriam ser boas samaritanas nos dias de hoje. Estas deveriam, a exemplo de Jesus, buscar o caído.

      Talvez, esta parábola de Jesus, seja para você também. Pense nisso. Que Deus lhe ajude a encontrar-se com Ele todos os dias. Amém.

 

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* A proibição de tocar cadáveres inclui apenas os sacerdotes (cf. Lv 21,1-3), não se aplicando, portanto, aos levitas. A Mishná (Nazir 7,1) “insiste que mesmo um sumo sacerdote deve assistir um cadáver negligenciado”. Duas considerações: — Primeira: a Torah inclui como ritualmente impuro qualquer israelita que tocar um cadáver (cf. Nm 9,6; 19,11.13.16). No caso dos sacerdotes, a única exceção refere-se aos seus parentes consanguíneos (she’er - Lv 21,2-3), o que não é o caso. — Segunda: a Mishná (conjunto de ensinamentos transmitidos oralmente pelos judeus) só ganhou a forma escrita no século II d.C. Utilizá-la, neste caso, é um anacronismo.

Rev Luiz Cláudio

Pastoral

Ateísmo Cristão?

Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas. No tocante a Deus, professam conhecê-lo; entretanto, o negam por suas obras; é por isso que são abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra.” — Tito 1.15,16.

 

      O termo ateísmo existe como uma contradição do “teísmo”. O termo teísmo (do gr. Théos) é a crença no ser divino, na divindade. Ateísmo é a oposição, isto é, afirmar que não há divindade, não há Deus. Portanto, o ateísta é aquele que negar qualquer conceito que defina a existência divina, transcendente. O ateísmo como prática é o exercício que nega o principio básico da existência de Deus.

      No texto acima, o apóstolo Paulo orienta a Tito sobre este tipo de conduta dentro do próprio cristianismo como grupo instituído. Intitulam-se cristãos, mas não exercem praticamente a fé na existência de um Deus real e interventor na história do homem. Tais pessoas, diz Paulo, “no tocante a Deus, professam conhecê-lo; entretanto, o negam por suas obras”. — O apóstolo Paulo se refere àqueles que professam conhecer a Deus e que,  entretanto, o negam por suas obras (Tito 1.16). É chamado de ateísmo cristão a negação de que Deus interfere, age e atua na realidade humana. Esta negação é feita por pessoas que se professam cristãs e que argumentam usando a terminologia cristã. Na verdade, isto nada mais é que o antigo deísmo, a idéia de que Deus existe mas que não interfere na realidade humana. O deísmo foi a religião dos antigos liberais e continua, ligeiramente modificada, sendo a teologia dos novos liberais. Admitir a existência de Deus, mas negar sua presença na história e na experiência humana, é a mesma coisa, ao final, que o ateísmo – só que com capa de cristianismo.

      Tito, destinatário da carta paulina, é não-judeu, ou seja, “grego”, o que não quer dizer que seja oriundo da Grécia (Gl 2.3).

      Alguns comentaristas conjeturam que ele nasceu em Antioquia. Como Timóteo, também Tito foi conduzido até Jesus pela proclamação do apóstolo. Por isso ele o chama de “autêntico filho” na fé (Tt 1.4; 1Tm 1.2), sendo que Timóteo ainda é designado de “filho amado” (2Tm 1.2) Diferentemente de Timóteo, Tito não recebe títulos especiais. Ele já era colaborador do apóstolo antes de Timóteo, acompanhando-o com Barnabé ao concílio dos apóstolos (Gl 2.1).

      Tito era um homem de grande autonomia. Paulo posicionava-se diante dele mais como alguém que pede e menos como alguém que emite orientações e ordens: “Mas graças a Deus, que pôs no coração de Tito a mesma solicitude por amor de vós, porque atendeu ao nosso pedido (!)… partiu voluntariamente até vós…” (2Co 8.16s).

      Quando Timóteo, sensível e certamente mais jovem, não foi capaz de cumprir sua incumbência em Corinto, interveio Tito, estável e zeloso. Com angústia Paulo aguardava o desfecho das negociações, que na seqüência foram coroadas de pleno êxito (2Co 2.13; 7.6,13s). Os coríntios não receberam a Tito com desprezo (esse risco existia em relação a Timóteo: 1Co 16.10s), mas pelo contrário, com temor e tremor! (2Co 7.15). Mas Tito não se mostrou duro ou autoritário. Seu coração era propício aos coríntios. Somente assim ele conseguia atuar como mediador e pacificador entre Paulo e a igreja.

      Paulo não precisa exortá-lo, como a Timóteo, a ser delicado para com os idosos (cf. Tt 2.2 com 1Tm 5.1!), nem escrever que, como servo do Senhor, deve ser magnânimo diante dos hereges. Pelo contrário, cabe a Tito exortar as igrejas para que usem de mansidão para com todos (cf. 2Tm 2.23s com Tt 3.2). Tito, mais equilibrado em seu íntimo, com certeza pode se apresentar com serenidade diante de outros, solucionando assim confusões humanas muito complicadas.

      Paulo o compromete com algumas incumbências (cf. Tt 1.5; 3.12). Encarrega-o de organizar em Corinto a coleta em favor de Jerusalém, o que constituía uma parte essencial da tarefa missionária a que Paulo estava submetido (cf. Rm 1.5; 15.15; 1Co 1.4; Rm 3.24; 5.20; 15.26; 1Co 16.1-4; 2Co 8.1-6,16,23; 12.18).

      Acerca da viagem conjunta de Paulo e Tito para Creta obtemos somente a informação de que Paulo o deixou lá para que, como negociador e administrador, levasse adiante e aprofundasse a obra iniciada (cf. Tt 1.5 com 2Co 8.6: o que iniciou anteriormente será agora concluído por ele).

      A tradição da igreja noticia que Tito teria se tornado bispo, permanecendo solteiro e falecendo aos 94 anos de idade.

 

Uma finalidade

 

      Em Tito 1.5a, temos uma das finalidades pela qual Paulo esclarece sobre a necessidade da permanência de Tito em Creta. Concluímos que Paulo e Tito evangelizaram juntos em Creta. Judeus de Creta estiveram em Jerusalém por ocasião do Pentecostes. Não se pode descartar que alguns deles aceitaram a fé em Jesus, o Messias, retornando a Creta como primícias da fé. Tais primeiros contatos podem ter aberto o caminho para uma posterior viagem missionária. O motivo direto da carta são os dois colaboradores mencionados em Tt 3.13, que viajam até Creta, entregando a missiva a Tito.

      Na época da redação Paulo está livre (Tt 3.12). A situação é semelhante à de 1Tm: Timóteo deve organizar o necessário em Éfeso, e Tito em Creta. Tanto em 1Tm quanto em Tt a instrução oral é seguida por confirmação e complementação escritas, um procedimento que não é incomum para Paulo.

      Tito também deixará a ilha. Por isso é necessário que as instruções sejam entregues por escrito às mãos dos irmãos colaboradores e co-dirigentes em Creta. Em 1Tm já se pressupõem formas e serviços eclesiais mais sólidos, em Creta parece existir um estágio anterior de constituição da igreja.

      Havia muitos problemas para serem cuidados em Creta nesta fase inicial da formatação da igreja local.

      Nossa pastoral se focaliza no ateísmo cristão, conveniente ao que encontramos da admoestação paulina no versículo 16.

 

O Conflito do versículo 16

 

      Asseveram conhecer a Deus, porém pelas obras o negam; são abominação para Deus, porque não lhe obedecem e são incapazes para qualquer boa obra. O conflito com falsas doutrinas e seus representantes sempre leva a uma grave aflição e tribulação, porque cada pessoa tenta justificar moralmente sua convicção e seu agir, dando-lhe a aparência de honradez. Aqueles que afirmam conhecer a Deus tentam, portanto, parecer religiosos. Não se reconhecem, de modo algum, como “ateus”. Pelo contrário, podem assegurar que representam uma religiosidade melhor, mais autêntica. São iguais àqueles que ostentam uma forma de beatitude, mas na realidade só olham para si mesmos. Uma vez que não conhecem (negam) a força da verdadeira devoção, negam o verdadeiro Deus também no agir. Pelos frutos torna-se explícito quem são. Mas evidentemente não se pode emitir um veredicto espiritual com a facilidade e rapidez que muitas vezes seria desejável. Também as doutrinas são obras, que coincidem com o testemunho dos lábios ou não.

      Paulo descreve algumas características advindas particularmente da realidade dos cretenses que se diziam parte da igreja, mas eram apenas nominais:

São abominação para Deus. Abominação é o que repugna a Deus. Em Rm 2.22 ocorre o verbo correspondente: “Abominas os ídolos e lhes roubas os templos” (também aqui a contradição entre testemunho e ação). Animais impuros deviam ser considerados abominação. É essa a possível alusão dessa palavra, provavelmente porque o v. 14 também contém preceitos sobre alimentos puros e impuros. Que ironia! Com vossos preceitos de purificação e mandamentos visais precaver-vos de abominações, para serdes aceitáveis perante Deus, e nisso vos tornastes pessoalmente uma abominação para Deus.

Porque não lhe obedecem, mas se guiam por suas próprias leis e lhe submetem outros. Por isso são imprestáveis, reprovados, incapazes.

      Paulo, que cuida e luta para que ele mesmo não se torne imprestável, depois de ter anunciado o evangelho a outros e se confessou do lado de Deus, conclama agora também com a máxima determinação seu filho Tito, para que não se torne imprestável, mas que nesse esforço recupere os renegados para que convalesçam na fé.

      “Pelos frutos os conhecereis”, – por mais difícil que seja a aplicação dessa palavra para cada caso, ela não deixa de ser um parâmetro para diferenciar entre heresia e são doutrina. A pergunta decisiva é: como são as obras? Será que estão em consonância com o testemunho da fé, como corresponde à sã doutrina do evangelho?

      Afinal, Paulo mesmo incita isso no versículo 15, quando explica que as coisas são puras ou não ao homem, de acordo com sua condição espiritual e moral. A impureza tem suas origens no homem interior, no íntimo do ser, não nas coisas exteriores (cf. Mc 7.15). (Reprovados (16); gr. adokimoi, "não aprovado", termo usado muitas vezes por Paulo).

      Eis a importância do testemunho, no qual não se deve dissociar o que se prega do que se vive. Ateísmo cristão se torna, portanto, um exercício da negação na prática do que se diz com a boca sobre o Deus Todo-poderoso. 

Tema do mês: Cantando a Segurança da Nossa Fé

Harpa, um dos instrumentos mais tocados pelo rei Davi e citado em muitos salmos.“Salmos: Cantando a experiência da fé”

 

Introdução ao Livro dos Salmos

 

     Desde o Israel antigo era muito comum a presença de cantigas que emergiam do povo. Construídas inevitavelmente pela cultura social, o conteúdo dos cânticos era recheado das crenças, experiências, fatos históricos, sentimentos e aspirações populares. Estava presente também o aspecto psicocomportamental* inerente ao povo ou a um momento específico do povo. Durante o decorrer do tempo, tais cancioneiros eram guardados culturais, como atas musicais, que melodiavam eventos festivos relacionados e repassavam a história de um povo para as gerações futuras.

     O Livro dos Salmos é um exemplo desta reunião cultural que canta a história do Povo de Deus, suas experiências, sua fé, seus sentimentos. Seria equivalente aos cancioneiros que temos nas igrejas de nosso tempo.

     Queremos, de forma breve, sugerir alguns destaques sobre o tema que estarão presentes nas pastorais de nosso boletim neste mês, aludindo inclusive ao Natal.

     Nos Salmos, temos metade de suas inscrições atribuídas a Davi, que em geral procedem da idade áurea de Israel, por volta do ano 1000 a.C. Alguns foram escritos na época do cativeiro (p. ex.:, Sl 137). Os Salmos possuem um estilo específico, que devem nutrir nosso entendimento acerca de seu conteúdo. A poesia hebraica não consiste no ritmo, mas principalmente na repetição de pensamentos apresentados em cláusulas paralelas (p. ex.: Sl 130.10), que permite uma melhor interpretação das palavras obscuras mediante o paralelo mais claro.

     Outro recurso que se emprega com freqüência no artifício poético é a dramatização, o que permite que ora vivamos a experiência do salmista e ora vivamos a experiência do personagem que o salmista interpreta (no caso: Deus, o Messias, Israel etc.).

     Vamos caminhar juntos nesta breve jornada sobre o tema do mês e aprenda você também a cantar a segurança da fé. 

Rev Luiz Cláudio

psicocomportamental – características do comportamento como espelho do caráter psíquico do povo (índole, caráter, moral, ética, etc.)

MOVIDOS POR FÉ

Hebreus 11

     Somos movidos por fé? Deveríamos também ser.

     Dentre os muitos fatores que compõem a vida de um servo do Altíssimo a fé, como já dissemos, deve ser um requisito fundamental para o exercício do cristianismo pessoal.

    Quando lemos Hebreus 11, vemos ali ações, atitudes, decisões que só existiram por causa deste elemento vital para se viver para Deus, a fé. Observe que pela fé temos certezas (v.1), obtemos bom testemunho (v.2), temos entendimento (v.3), oferecemos sacrifícios aceitáveis a Deus (v.4), se agrada a Deus (v.5), nos aproximamos de Deus (v.6), se recebe livramento e justiça (v.7), se tem obediência (v.8), se faz geração de Deus (v.9), se faz milagres (v.10), se aspira a pátria celestial (v.12-16), se crê no impossível (v.17-19), se abençoa gerações de gerações (v.20-22), há proteção e destemor (v.23), toma-se decisões corretas e não compactua com o mal (v.24,25), Moisés venceu o Egito pela fé (v.26-29), muralhas foram derrubadas (v.30), vidas foram salvas (v.31) e, por fim, subjugaram reinos, praticaram a justiça, obtiveram promessas, fecharam a boca de leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram força, fizeram-se poderosos em guerra, puseram em fuga exércitos de estrangeiros. Mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos. Alguns foram torturados, outros, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos antros da terra (vv. 33-38).

    Meu querido leitor, o que tem movido sua vida? A vaidade, a riqueza, a grandeza, o status quo, a ganância, a satisfação pessoal?

    A principal finalidade de Deus para sua vida é guiá-lo no centro de Sua Vontade, e somente pela fé se pode trilhar este caminho.

    E tu? De onde vens? (Jó 1.7).
 

Rev Luiz Cláudio

Pastoral

Ressurreição de Lazaro“Fé Transcendente”

Maria e Marta disseram:

Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão(João 11.21,32)

 

     Se sua fé está sustentada em Cristo, você precisa ter uma fé transcendente! Essa é a fé que nasce em Cristo, uma fé que transcende os limites do físico, do material, das leis, do tempo e do espaço. Como Cristo é transcendente, assim é a fé que nasce e se consuma nEle.

     As irmãs Marta e Maria, que perderam seu irmão Lázaro para a morte, foram ensinadas “nesta” fé por Jesus.

     Elas criam num Cristo limitado pelo tempo, pelo espaço geográfico (se estiveras aqui) pelas leis impostas aos homens. E Jesus as conduziu para uma verdade transformadora: Não devemos ver Deus segundo a realidade falha e imperfeita, limitada e finita deste mundo, mas devemos ver o mundo pela realidade transcendente, ilimitada, infinita de Jesus. — Isso fará TODA a diferença nos limites de sua fé.

     Jesus disse a Marta: — “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?(vv. 25,26). Quando Marta e Maria veem Jesus chamar Lázaro do seu túmulo, elas compreendem que estavam diante do Criador, dAquele cujas leis do universo se dobram para cumprirem a Sua vontade.

     Maria Madalena também chorou aos pés de um túmulo porque sua fé fora conduzida pela limitação de seu ser. Acreditava que aquele sepulcro era o fim – uma fé que acaba com a morte. Porém, Madalena tem sua fé impulsionada para o reino do impossível, quando se depara com o Cristo redivivo. Sua fé, agora transcendente, percebe que nem o túmulo, nem a morte, nem as fórmulas da ciência podem detê-lO. Madalena percebe que sua alegria, agora, não poderia mais ser retirada dela.

                É assim a visão do cristão cuja fé é como seu Senhor, transcende para aquilo que é natural em Cristo: crer no possível de Deus. — E você, Crês isto?

Rev Luiz Cláudio

Pastoral

“Fé e Propósito”

Texto Bíblico: 1João 5.14

E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve

 

    Existe oração e oração! A oração bíblica é aquela que vem com o elemento “”, fruto de um coração convertido. O Apóstolo Tiago fala dessa “oração da fé(5.15). Mas fé, embora seja um elemento vital na oração, não é o único quesito a ser observado por aquele que deseja orar a Deus e ter a sua oração aprovada. — Um outro elemento é a consciência dos propósitos de Deus. Uma das marcas que confirmam a oração da fé é o seu atendimento ou aprovação por parte de Deus, e é aí que o Apóstolo João dá a sua contribuição, como Apóstolo inspirado pelo Espírito Santo, para nos revelar esta importante verdade acerca da fé aplicada na oração do justo: “...se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade...”.

     Quando o caso da oração se vigora em um pedido, devemos aplicar nossa fé numa base perfeita: – A vontade de Deus, o querer divino. — Deus não responde orações cujos pedidos intencionam manipulá-lO contra seus propósitos ou vontade. E, quase sempre, sua resposta vem num tom disciplinador quando insistimos com algo contra a sua vontade. (Já reparou que muitas vezes foi recebendo justamente o que pedimos que Deus nos disciplinou, nos mostrando que o que queríamos era mal?).

     É necessário entender que a oração e a fé não são brinquedinhos à disposição de crentes imaturos. Pelo contrário, são ferramentas de bênçãos e transformação de toda uma realidade segundo a vontade dEle.

     As vezes nos perguntamos: — “Como é que pode Deus não querer isso que eu quero?”. Uma pergunta comum ao crente imaturo. Ouse se perguntar: — “Como é que posso EU não querer o que Deus quer pra minha vida?”; agora sim, o crente começa a amadurecer.

                Como diz 1João 5.14: Você quer ter confiança de que Deus ouviu sua oração? Simples, peça segundo a vontade dEle! E ele te abençoará!

Rev Luiz Cláudio

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 “Retroceder Jamais”

Texto Bíblico: Hebreus 10.37-39; Lc 18.18-30

Mas, ouvindo ele estas palavras, ficou muito triste...(Lc 18.23)

 

     Deus não se agrada quando retrocedemos em nossa fé. A Bíblia mesmo afirma isso no registro da Carta aos Hebreus (10.37-39), afirmando que “Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma”.

     Como um dom de Deus, portanto não criado ou inventado pelo homem (Ef 2.8,9), a fé é um instrumento de grande relevância na vida cristã e apontada como âncora de sustentação. É por meio da fé que a vida cristã existe, se sustenta e é real. E não é à-toa que a fé é que sofre mais ataques na pós-modernidade.

     A Igreja padece por não compreender efetivamente o que é a fé em Jesus Cristo e por desenvolver conceitos sobre a fé que não são bíblicos, porém, frutos de imaginações férteis. A filosofia religiosa do presente século contribui muito para que os novos “evangélicos” continuem a se desestimular numa compreensão mais profunda e numa busca mais integral do conhecimento bíblico — O Livro Sagrado nunca andou tão pouco manuseável e estudado.

     Razões como estas têm produzido uma geração de crentes com a fé débil e incapaz de resistir a tentações e tempestades da vida.

     Dos muitos exemplos bíblicos, há um exemplo encontrado no episódio conhecido tradicionalmente como o encontro de Jesus com o jovem rico (Lc 18.18-30), que narra sobre um homem que apresentava um conhecimento teórico sobre as leis de Deus, mas extremamente ligado às coisas terrenas. – No último momento do seu encontro, não apresentou a fé necessária para atender a orientação do Filho de Deus. E se retirou triste.

     Deus deseja que sejamos uma comunidade de fé, de uma fé firme a consumada em Cristo (Hb 12.2), capaz de perseverar e alcançar a promessa, uma vez que cumpramos a vontade de Deus (Hb 10.36). Não se engane: “sem fé é impossível agradar a Deus(Hb 11.6).

“O Real Alvo da Fé: Cristo”

"olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus..." (Hb 12.2)

    Após ter transformado a fé num produto de consumo, o mercado religioso agora quer oferecer “novos” alvos para a aplicação da fé. O manancial de blasfêmias que se originou desta fonte infernal tem denegrido e confundido até mesmo uma parcela incauta da Igreja, que insiste em beber de outras fontes, mesmos tendo ouvido falar que só uma fonte jorra “Água da Vida”.

    O autor de Hebreus, em sua narrativa na qual aponta a Cristo como exemplo supremo a ser seguido, aponta-O como o único alvo real e digno para o qual devemos focalizar a fé que Ele mesmo nos deu por meio do seu Santo Espírito.

    Vivemos em uma época em que é ensinado que a fé é nossa, que nós a desenvolvemos e cabe-nos saber utilizá-la de forma a atender as (como nós julgamos ser) nossas próprias necessidades.

    Aviltamos-nos da honraria de termos a fé que é dom de Deus (Ef 2.8), por aceitarmos esta proposta demoníaca, que rega nosso ego e nossas vaidades. Com o intuito de nos fazer sentir que somos mais do que pó, estes mercenários da fé têm nos afogado em suas ondas de “frases de efeito” e inculcado na mente dos incautos que a fé é um poder especial no qual o homem é dotado para usar conforme dita seu bel-prazer. Há os que acreditam que fé até “move a mão de Deus” ou a fé se tornou um instrumento para conquistas pessoais, faz de você um super-herói, é uma “força que vem de dentro e você”, que se “conquista o impossível” pela fé, que ensina que a “sua” fé é que “mostra o seu valor”.

    O Espírito Santo, por meio do autor de Hebreus, desfaz toda essa falácia afirmando que Jesus Cristo, ele sim, é o único “autor” e “consumador” da fé. O termo “autor” vem de autoria, aquele que dá origem; e “consumador” é aquele que consuma, finaliza a fé. Isso quer dizer que é (em) Jesus que a fé nasce e finaliza. Toda a obra produzida pela fé, começa nEle e termina nEle.

    O homem decaído não pode produzir fé. Apenas Deus pode gerá-la e consumá-la em sua obra que cumpre TODA a SUA vontade. — O cristão é aquele que tem fé sim, que veio de Deus, que cumpre os propósitos de Deus e só se consuma, com êxito, no Deus filho. Não compre idéias antropocêntricas!

Rev Luiz Cláudio

“As promessas de Deus são para seus filhos”

Porque o Filho de Deus (...) sempre nele houve o sim. Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio. (...) também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração” - 2Coríntios 1.12-22

    Nunca, em nossos dias, a palavra “promessa” foi tão mencionada! O que fazia parte de um vocabulário especificamente cristão, agora está nos lábios de todos, sem distinção. Isso parece poético, bonito para você? Hoje, qualquer um que se sente filho de Deus, outorga-se o direito das promessas divinas (mesmo que nunca tenha lido a Bíblia ou as conheça efetivamente). Nas pregações, evangelismos, reuniões e conjuntos dos atuais evangélicos, é comum afirmar inumeráveis coisas e chamá-las de “promessas de Deus”. Mas será que essa indistinção, é pertinente às reais promessas de Deus, na Bíblia?

    A teologia bíblica, disciplina da cadeira de Teologia, especificamente em Antropologia paulina, ou de Paulo, esta questão encontra a sua resposta. Para o apóstolo inspirado, Deus tinha promessas sim, e todas elas foram e são cumpridas em Cristo e “somente” naqueles que SÃO DE CRISTO. A saber: seus filhos.

    Hoje, afirmam promessas de Deus sobre qualquer um. Garantem que Deus tem promessas para qualquer um que se sinta carente, ou perdido, ou que fez más escolhas na vida, ou que sofre por consequência de atitudes, decisões, intempéries sofridas, etc. É um show da fé, um supermercado religioso que arrebanha por meio da dor e do sofrimento, garantindo-lhes as promessas de Deus, sem se aperceberem que NÃO HÁ PROMESSAS DE DEUS SEM O DEUS DAS PROMESSAS.

    Paulo afirma que “...quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim...” (v.20). É em Cristo que as promessas de Deus se cumprem e é nEle que elas são sempre confirmadas (têm nele o sim). — Então, basta ir a Cristo e está tudo certo? A resposta é não! Porque Paulo completa dizendo: “...aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração” (vv. 21,22). Eu não posso “me ungir”, nem “me confirmar”, pois, este poder, só Deus tem. É Ele quem nos confirma em Cristo, nos unge, nos sela com o Espírito Santo. Só Ele tem este poder! — E se são filhos os que assim são feitos em Cristo, e se é em Cristo que todas as promessas se cumprem positivamente em nós, em Cristo temos o sim de todas as suas promessas, isto é, Deus nos confirma, unge, sela (isso faz de nós filhos de Deus) e para Ele (Cristo) são todas as suas promessas. Portanto, as promessas são para os que nEle estão confirmados, ungidos e selados. Não para outros, que nEle não estão.

    Cuidado com as afirmações e garantias humanas que muitos têm dado a incautos. Esses podem estar garantindo algo que só Deus pode dar, e só dá a seus filhos!

 

“Instrução Para a Vida Eterna”

"...desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus" (2Timóteo 3.15)

         Robert Raikes (Gloucester, 14 de setembro de 1736 — 5 de abril de 1811), o pioneiro fundador da Escola Dominical, não tinha idéia de quão grande seria o empreendimento que foi resultado do seu sentimento de compaixão pelas vidas das crianças abandonadas de Gloucester. Este jornalista inglês, anglicano, assume o jornal da cidade após o falecimento de seu pai, em 1757, no qual costumava escrever sobre a terrível condição prisional de sua cidade. Certo dia, procurando um jardineiro na Rua Saint Catherine, no bairro de Sooty Alley, ele encontrou um grupo de crianças maltrapilhas brincando na rua, a deriva de um futuro tenebroso. Raikes resolveu estabelecer uma escola gratuita para esses meninos de rua e assim, a Escola Dominical nasceu como um instituto bíblico infantil, operando de forma independente das igrejas, alfabetizando e instruindo pela Bíblia as crianças carentes.

        Posteriormente, a maravilhosa idéia de Raikes seria importada por outros países, tais como Reino Unido, Estados Unidos, Londres, dentre outros. No Brasil, o movimento de Escola Dominical criou raízes através do trabalho de Robert e Sarah Kalley, em 19 de agosto de 1855, na cidade imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro. A Igreja Presbiteriana implementou a Escola Dominical como trabalho denominacional em terras brasileiras com a chegada de Simonton que, em seu primeiro ano, iniciou uma Escola Dominical com os filhos de amigos e vizinhos.

        A Escola Dominical sempre foi uma ferramenta de transformação social. Independente de vínculos denominacionais, esta escola que dentre outras disciplinas ensinava também a Bíblia Sagrada (que era o livro base) e a Jesus Cristo como salvador pessoal do homem decaído e perdido. Muitos foram conduzidos à salvação por aprenderem desde a infância as sagradas letras que dão a sabedoria "a salvação pela fé em Cristo Jesus".

        Em Gloucester (1784), eram 250 mil alunos matriculados. A taxa de criminalidade caiu com o advento das escolas dominicais de Raikes, de forma que em 1792 não houve um só caso julgado pela comarca de Gloucester.

    Se você crê no poder da Palavra de Deus, valorize a Escola Dominical em sua vida e de sua família

* Clique aqui para uma versão mais completa desta epopéia.

 

“FIRMEZA NAS PROMESSAS”

"Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?" (Números 23.19)

 

    Uma das grandes dificuldades encontradas nos relacionamentos é a diferença entre as naturezas. Isto porque o natural de todo ser é ler o outro segundo sua própria natureza. Transferimos atributos, manias, tendências, gostos, raciocínios que são de NOSSA natureza para o outro com quem nos relacionamos. Quantas vezes esperamos atitudes de outras pessoas (que elas não tiveram), mas que, na verdade, são NOSSAS; são atitudes que NÓS teríamos. O outro, por mais semelhante, ainda assim, é diferente de nós. A forma como o outro foi construído, por mais que se assemelhe a nossa própria construção de vida, ainda assim terá pontos diferentes! Afinal, de onde nascem as frustrações que temos com nossos semelhantes? Não são frutos de NOSSAS PROJEÇÕES e EXPECTATIVAS sobre eles? E quando não agem, não pensam, não vêem e não respondem como nós projetamos, não é aí que ficamos frustrados? Mas, por que ficamos frustrados? Simples! Porque projetamos no outro aquilo que NÓS FARÍAMOS, que NÓS PENSARÍAMOS e esquecemos que o outro tem liberdade de ser diferente. Afinal, o outro não sou eu e nem você. O outro é o outro!

    Quantas vezes quebramos nossas promessas não cumprindo o que prometemos? Quantas vezes deixamos pessoas frustradas porque assumimos promessas que não cumprimos? E, você já reparou que tratamos a Deus nas mesmas condições? Isso porque projetamos em Deus as nossas falhas, nossas incompetências, nossos defeitos, nossas debilidades, nossas limitações etc. Quantas promessas fizemos a Ele no nosso Batismo, as quais não cumprimos? — Mas, com Deus não é assim! Deus é fiel em tudo o que faz! Fiel a seu caráter imaculado e perfeito. Fiel em suas promessas! O texto de Números 23.19, expressa exatamente a diferença entre a natureza perfeita de Deus e a nossa natureza corrompida. — O homem mente, Deus não mente. O homem desiste de seus planos, volta atrás. Com Deus não é assim! O que Ele promete, faz. O que diz, cumpre! Eis uma razão para que aqueles que confiam em Deus jamais se frustram! Ele não falha, ele é fiel e cumpre todas as suas promessas. Que segurança!

 

“A IMPORTÂNCIA DOS FRUTOS”

"Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento,..." (Mt 3.8; Lc 3.8)

 

    Os “frutos” são elementos de grande importância nos evangelhos (e em toda a Bíblia!). São eles que testificam as transformações sofridas pela “nova criatura” que se refaz em Deus (2Co 5.17, Gl 6.15). É inevitável tê-los se somos mesmo novas criaturas. Em uma das vezes em que os evangelhos de Mateus (21.17-22) e Marcos (11.12-25) registram que Jesus teve fome, o texto fala sobre uma figueira que não estava na época de dar seus frutos. Quando Jesus se aproxima dela, por não ter frutos, ele a amaldiçoa e a figueira seca, sem vida. Como saberemos se a árvore é boa ou má sem frutos? Daí a importância dos frutos na vida cristã.

    João Batista, enquanto pregava arrependimento para remissão de pecados, foi interpelado por fariseus que eram sacerdotes e levitas (Jo 1.19,24) para questioná-lo quanto a sua autoridade. Em sua palavra, o batista fala, então, da importância dos frutos. Se estavam mesmo arrependidos de seus pecados, haveriam de não cometê-los mais (Lc 3.10-14). O abandono do pecado, do erro, do engano por uma nova vida pautada na verdade de Deus, era parte dos frutos que testificaria destas decisões por arrependimento, por uma vida mais próxima de Deus.

    Queridos leitores, percebam o quanto é importante que haja, além do arrependimento, os frutos que lhe são oriundos. É necessário que haja testemunho de nossa nova condição em Cristo, uma condição de mudanças de caminhos, de conversão de vida. Não podemos dizer que somos de Cristo e continuar nas velhas práticas, no velho caminho que nos conduzia para a morte.

    O arrependimento é o ato de plantio da nova semente de vida pela qual frutos nascerão e produzirão um diferencial em nossa existência. Frutos que são dignos do arrependimento que tivemos, frutos que testificam que o arrependimento foi verdadeiro, real e prático.

    Não viva uma nova vida teórica, na qual os velhos costumes, as velhos palavreados, os pensamentos vãos, a escravidão do pecados continuam em ações escondidas. Lembre-se da figueira sem frutos! Lembre-se de que não havia frutos e por fim, não houve vida. Secou-se. Viva na videira verdadeira (Jo 15.1)!

“Um pai que eu não abre mão de seus filhos”

"Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar" (Jo 10.29)

      Incomparável, maravilhoso, inconcebível, espantoso, humanamente irreplicável, contudo, sensível, presente, real: assim é o AMOR DE DEUS por nós! A maravilhosa graça divina, dentre todos os seus efeitos, também nos permite viver e descobrir este tesouro sem igual, a densidade inabalável do amor divino.

     A estima divina por nós é nivelada pelo Filho do Altíssimo como “maior do que tudo”. Neste texto, Jesus está falando sobre Si como supremo pastor, o bom pastor e a porta das ovelhas, as quais Ele veio buscar. Este rebanho, diz Ele, “ouvem a sua voz”, “são conhecidas por Ele” e “seguem a Ele” (v.27). Para este rebanho, o Senhor dá vida eterna e segurança: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (v.28). Então, como já não bastasse tantas bênçãos, Ele ainda aumenta sua declaração de amor pelas suas ovelhas e ainda diz que tal sentimento pertence também ao Pai. Jesus disse que este rebanho especial, no qual a Trindade Santíssima deposita todo o seu amor, que lhEs é caro e cujo nível de estima é maior do que tudo, ainda possui uma segurança inabalável e irrevogável: — “...da mão do Pai ninguém pode arrebatar” (v.29). — Você está atento ao que está sendo dito? Jesus afirma que NADA, NINGUÉM PODE NOS TIRAR, NOS AFASTAR, NOS DESTITUIR DA ONIPOTENTE MÃO DO PAI.

     Meu amado leitor, diante de um mundo que insistentemente trabalha para sorrateiramente nos afastar de Deus, que empreende esforços para, por meio da mídia, da tecnologia, dos nossos sonhos, nossas vaidades, de todos os recursos que lhe valem, fazer você esquecer desta verdade, DEUS usa sua Palavra para mais uma vez lembrar o quanto você é valioso para Ele. E com todas as tentativas que o mundo, o pecado, se utilizam para tentar êxito, sempre será inútil, pois nunca se tratou de você, mas de Deus, o Pai. É Ele que jamais abrirá mão de seu rebanho, é a mão dEle que faz toda a diferença! Mesmo que falhemos, que sejamos infiéis, fracos e vacilemos, a segurança está na poderosa e inabalável mão do Criador, Deus e Pai e nosso Senhor Jesus Cristo. Isso faz toda a diferença! Que segurança, tenho em Jesus!

 

 ALÍVIO A QUALQUER TEMPO!

"...eu vos aliviarei" (Mt 11.28c) 

    Consolo, descanso, libertação, refrigério: muito mais do que sinônimas estas palavras são representantes do verdadeiro estado de todo aquele que crê e, movido pela fé, vai a Jesus em busca de alívio.

    Os encargos deste mundo, o pecado, suas mazelas pesam, sufocam, oprimem, ferem, roubam a paz e a segurança, e por fim, matam. Basta olhar à volta para observarmos olhares, posturas, expressões sem vida, cansados, sobrecarregados; uns acabrunhados, outros encurvados sobre o peso de suas dores, seus sonhos que se tornaram pesadelos, de uma máscara que esconde a verdadeira realidade que está esfarelando os ossos. Outros simplesmente estão mortos, como zumbis que não percebem que a morte tem sido sua guia. E pasme, isso também tem sido a realidade de muitos crentes desavisados! — Crentes cuja fé tem sido enfraquecida, que se esqueceram do "convite": - "vinde a mim...". Crentes enfraquecidos pelo silêncio proporcionado pela vaidade, pelo ego que não aceita a humilhação, de não querer dizer "eu dependo", "eu preciso". Desistiram de crer ainda que afirmam crer. O convite milenar ainda ressoa nos ouvidos de nossas almas, mas nos fazemos moucos.

    É necessário aprender dEle (v.21) e descobriremos que somente nEle poderemos encontrar o alívio que tanto almejamos. Sempre haverão jugos e fardos, mas Jesus nos alivia dando o seu fardo e seu jugo leve e suave.

    Precisamos sobrepujar nosso ego e nos render a verdade que diz: "sem Ele, nada podemos fazer" (Jo 15.5). Há alívio em qualquer tempo que precisarmos e este alívio está sempre presente na aceitação sincera daqueles que cansados e sobrecarregados buscam, com fé, a Jesus Cristo. Ele promete alívio e descanso para aqueles que desejam trocar o jugo pesado do mundo e o fardo do pecado pela vida abundante e leve do Cristo Salvador. — Pense nisso hoje mesmo. Desista de viver sobre a ditadura das leis mundanas e sobre o peso do pecado. O convite continua a ressoar juntamente com as promessas contidas nele. Depressa, aceite-o! Pois haverá um dia em que o convite perderá a validade.

 

A NECESSIDADE DE UMA DOUTRINA CRISTOCÊNTRICA

"...a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome..." (Fp 2.8,9)

    Uma teologia equivocada somada a doutrinas equivocadas só podem gerar uma expressão religiosa equivocada.

    O contexto nos revela que Paulo está tratando de um problema prático na vida da igreja, exortando os crentes à unidade. Assim, ele expõe seu pensamento teológico mais profundo para resolver um problema. A teologia deve sempre estar conectada com a vida. A teologia determina a ética. A doutrina é a base para a solução dos problemas que atacam a igreja. A igreja precisa pensar teologicamente. William Barclay comenta: "Em Paulo sempre se unem teologia e ação. Para ele, todo sistema de pensamento deve necessariamente converter-se em um caminho de vida"

    Da humilhação à exaltação suprema e inquestionável, é assim que os versículos 8 e 9 definem a trajetória do ministério de Jesus Cristo. Testemunhar de Jesus para o seu próximo é apresentar um Cristo que se humilhou, mas foi exaltado; que morreu, mas ressuscitou. A Cruz é um triunfo para Cristo e não uma derrota.

    Jesus jamais foi um pobre coitado que suplicou o amor das pessoas por Ele ou pelo que Ele fez. Sua pessoa não pode ser respaldo para apelações de entregas emocionais, sua imagem não deve ser alvo de pieguismo de crentes cheios de problemas psicoemocionais querendo identificar-se numa imagem de um Deus-homem que é quase todo homem e quase nada Deus. Jesus é Senhor! É o Filho do Altíssimo. É digno de nossa reverência e submissão mais intensas. O Jesus bíblico, que está a destra de Deus, não sofre melancolias, depressões, ansiedades, sentimentos de culpa, frustrações ou muitos outros et ceteras. O ministério dEle nos identifica com o amor de Deus por nós e não com as mazelas humanas. Ele venceu tudo isso! Ele não quer nossa pena, alguém que pense: "pobrezinho dEle". Seu desejo é que você o reconheça com único e suficiente salvador. É Ele quem te salva! É conhecendo o Jesus bíblico que pregaremos o Jesus correto, o Salvador. E não um plágio do homem decaído e cheio de falhas que implora por um pouco de atenção de pecadores orgulhosos. — Ele nos amou primeiro!

 

“...Cristo vive em mim”

Gálatas 2.20

    Ao contrário do que muitos místicos e outras seitas afirmam Paulo não está ensinando sobre possessão de corpo ou mediunidade no texto base desta pastoral. E muito menos insinua que é subjugado por um espírito que o anula quando lhe usa o corpo. O apóstolo está ensinando sobre identificação, representação, simbologia. — Assim como uma ONG, uma pessoa ou empresa podem assumir a representatividade de um governo, de um significado ou ideologia qualquer; o apóstolo dos gentios está afirmando sobre sua representatividade de Cristo, ele assume sua função de ser identificado em suas ações, palavras e realizações como um representantes de Cristo.

    Por semelhante forma, a igreja deve ser testemunha de Jesus Cristo no mundo, assumindo assim esta que é parte fundamental de sua missão.
O mundo deve ver a Cristo quando olha para a igreja. Isto é, o comportamento, as palavras a postura da igreja neste mundo devem refletir o Cristo ressurreto no mesmo ponto em que a igreja possa afirmar como o apóstolo afirmou: Que Cristo vive na igreja.
    O pensamento reformado de influência calvinista afirma que uma das funções pedagógicas da igreja é possuir uma didática que seja sensível a cognição corrompida do ímpio, para que este possa perceber a Cristo, sua obra e ministério salvífico, tendo a igreja como instrumento do Espírito Santo na divulgação desta mensagem [Institutas IV]. Por cognição, devemos nos reportar ao todas as funções humanas capazes para o aprendizado. — Desta forma, a igreja deve testemunhar, num aspecto integral, a pessoa e a obra de Jesus Cristo, o Salvador.

A Igreja como espelho de Cristo

Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos” – Atos 11.26

    Uma das atribuições da Igreja é tornar, de forma simples e legível, a pessoa e a obra de Jesus Cristo. Considera-se elementar esta função característica outorgada à Igreja pelo próprio Senhor (“...e sereis minhas testemunhas” – At 1.8). — Como testemunhas de Jesus no mundo a Igreja deve, portanto, ter como primaz essa tarefa dentro de suas próprias portas.

    João Calvino, nas suas Institutas da Religião Cristã, afirma que a primeira marca da verdadeira igreja é a fidelidade à Palavra de Deus. Ele ensinava que “Onde quer que vemos a Palavra de Deus ser sinceramente pregada e ouvida, onde vemos serem os sacramentos administrados segundo a instituição de Cristo, aí de modo nenhum se há de contestar, está a Igreja de Deus” (Institutas, vol. IV). E é justamente a Palavra que se torna um dos fundamentos da presença de Cristo na Igreja. Os pecadores perdidos devem passar pelas portas da Igreja e, olhando seu interior, enxergar a presença de Cristo. A Igreja traduz em sua postura, comportamento e palavras os atributos e características de Cristo nEla, espelhando-O ao mundo com linguagem singela e compreensível a olhos que não são iluminados pelo Espírito Santo.

    Foi assim que os antioquenses puderam perceber a presença de Cristo naquele grupo no qual estavam Barnabé e Paulo, resultando na primeira vez em que Cristo foi reconhecido neles.

    É assim que a Igreja também deve ser reconhecida. Não por trazer o nome como um registro histórico, mas por viver a essência do que o nome cristão quer dizer: seguidores de Cristo (porque vivem Cristo, testemunham de Cristo). E, este resultado deve ter seu início “dentro” da própria Igreja, deve ser perceptível entre os “irmãos” que convivem dentro da comunidade da fé cristã.

Discípulos do Lar

 “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos,...” – Deuteronômio 6.6,7

    O Shemmá mosaico é grandemente conhecido e faz parte das recitações obrigatórias do Templo nas principais Festas de Israel. A perícope acima é parte das recitações de Profissão de Fé que um judeu fazia diante do sacerdote. Originalmente, o Shemmá constituía-se de um único verso (Devarim / Dt 6.4-9 – ver Talmud Sukkot 42a e Berachot 13b). Atualmente sua recitação envolve três porções: Devarim / Dt 6.4-9, Devarim / Dt 11.13-21, e Bamidbar / Nm 15.37-41 que constituem a base principal da fé judaica. Seguindo o mandamento de dizer Shemmá “ao deitares-te e ao acordares”, a leitura de Shemmá é parte das rezas judaicas da noite (Arvit) e da manhã (Shacharit).
     Os principais temas da doutrina era ensinados primeiramente aos do lar, isto é, àqueles que seriam a descendência ordinária do lar. Era considerado o maior tesouro que um Pai poderia passar para seus filhos, a começar do mais velho para o mais moço.
Os nossos primeiros e principais discípulos devem ser àqueles que ordinariamente derivam de nós, a saber, nossos filhos. Para o cristão, não deveria haver outro tesouro mais precioso do que o ensinamento das sagradas letras para seus filhos.
    Observamos o crescimento exacerbado do interesse por outros valores sendo dado aos filhos de cristãos que contradiz o princípio bíblico. Vemos pais mais ansiosos por ver seus filhos no primeiro lugar do vestibular da escola secular do que da escola dominical. Vemos eles investirem tempo e valores para que saibam inglês, esportes, profissões; e não mais valorizamos que sejam compromissados com a Palavra de Deus. Suas “profissões de fé” a cada dia têm, realmente, espelhado o verdadeiro e mais valioso preceito da vida de seus pais.
    Lembre-se: Nossos primeiros discípulos são nossos filhos. “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Pv. 22.6).
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Rev. Luiz Cláudio

Missão da Igreja

Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” – João 4.24

    Além da diaconia, da comunhão, do testemunho, da evangelização, a igreja possui uma missão muito homogênea a essas, a adoração verdadeira.
dois aspectos dessa missão que precisamos entender: o aspecto homogêneo e o aspecto supremo. É importante guardar que este último conduz ao primeiro.

    A igreja é uma comunidade adoradora. A maior missão da igreja não é fazer missões, mas adorar a Deus. Basta perceber que o próprio homem foi criado para esta finalidade, “adorar a Deus e gozá-lo para sempre”. Deus, e não o homem, é o centro de todas as coisas. Missões existem como um dos instrumentos usados para salvar um povo que adora. O adorador precisa entender alguns princípios que regem um vida de adoração: 1) O adorador precisa entender que a sua vida é a vida da sua adoração. A prática da adoração jamais poder ser divorciada da pessoa do adorador. Perceba que em João 4.23, Deus não está procurando adoração, mas adoradores que o adorem em espírito e em verdade. “Nós estamos procurando melhores métodos, enquanto Deus está procurando melhores homens. Deus não unge métodos, Deus unge homens(E. M. Bounds). 2) O adorador precisa entender que a adoração não é uma questão de performance diante dos homens, mas de sinceridade diante de Deus. 3) O adorador precisa entender que um culto, ainda que ortodoxo, mas divorciado da vida cotidiana, não agrada a Deus. Culto sem conexão com a vida diária é entretenimento espiritual. Se Deus não é o centro ou é adorado, torna-se tempo perdido.

    Entendeu por que a adoração é um aspecto supremo que se torna homogêneo? Porque sem a verdadeira adoração, os outros elementos da missão não existem! São exercícios ativistas sem vida espiritual.

Possíveis Frutos

 “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam,...” – Mateus 7.12; Lc 6.31.

Certa vez, escrevi acerca de nossa responsabilidade cristã sobre assumirmos primeiramente em nós a conduta e os valores que desejamos que as pessoas tivessem conosco. Essa verdade é parte da verdade maior contida no texto citado acima, na qual Jesus nos legou quando incentivava o seu povo a orar. Nós nunca paramos para pensar que no final do versículo 12, Jesus aponta que esta responsabilidade é, na verdade, uma lei vivenciada e ratificada pelos profetas (“...assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas”).

A “lei e os profetas” representam a expressão da vontade divina para seu povo, portanto, Jesus está dizendo que “devemos ser aquilo que queremos que as pessoas sejam (para nós)” porque esta é a vontade de Deus.

Muitas vezes estamos vivendo realidades, sofrendo circunstâncias que são conseqüências daquilo que realmente temos sido. Não obedecendo à vontade divina para que tenhamos uma conduta e valores que influenciem a sociedade pagã, acabamos por sermos influenciados por ela. Quem sabe, não estamos recebendo aquilo que temos plantado? Será que não temos recebido dos homens aquilo que temos dado a eles? Quem sabe?

(A Palavra de Deus sabe!).

Por que pecamos? 

Portanto, assim como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso todos pecaram” – Romanos 5.12

 

    “Não foi assim desde o princípio!” — Esta foi parte da resposta de Jesus aos fariseus que lhe questionavam acerca do divórcio em Mateus 19.8. O mesmo princípio é utilizado pelo Apóstolo Paulo na carta aos Romanos. Com uma carta de fórum jurídico-apologético de forte teor doutrinário, o Apóstolo explica acerca da Antropologia Bíblia, isto é, a origem do gênero humano, o que fizeram, as consequências e solução deste dilema.

    Deus criou o homem e depois a mulher e deu-lhes sua imagem e semelhança nos capítulos 1 e 2 de Gênesis. Em seguida, no capítulo 3, acontece a queda, e é aí que fica demarcada a situação caótica em que a humanidade é sujeitada. No versículo de nosso texto base, no qual Paulo esclarece acerca da justificação em Cristo Jesus, ele aponta para a condição na qual o homem se encontra como herdeiro de Adão: decaídos, destituídos, corrompidos e mortos (Rm 3.23). Homens nestas condições adâmicas jamais almejarão o bem e as coisas de Deus por amor a Deus (Rm 3.9-20). Tudo o que fazem de “supostamente” bom é motivado por interesse autobeneficente, exaltação pessoal ou, simplesmente, autopreservação/sobrevivência.

    O homem se encontra neste estado em que a violência, a invasão do direito alheio, as leis não significam nada diante do seu ego de conquistas e dominação.

    Recentemente ficamos chocados com o massacre de estudantes infantes na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, bairro do município do Rio de Janeiro, que, como outros episódios de maior ou menor porte, serviram para nos alertar. Mas alertar de que? Alertar do quanto somos bonzinhos e piedosos porque sofremos quando coisas horríveis acontecem com os outros? Ou talvez nos alertar de que poderia ter sido conosco e daí “piedosamente” agradecermos a Deus porque não o foi? Ou talvez nos amedrontar em ver o potencial de maldade a que o ser humano pode chegar, porque sempre acreditamos que nossa natureza é boa? Ou porque temos medo de ver que não há muita diferença entre o homem mau e nós? — Mas nunca vemos a verdade! Nunca vamos à origem verificar o “porquê”. O apóstolo foi na origem e nos submete à verdade sobre nós, que nos constrange, amedronta, envergonha. Por isso, não queremos olhar! Preferimos ficar como cegos a ver que nós somos culpados, que somos humanamente irremediáveis (Rm 5.12).

    Contudo, Paulo nos mostra também que, embora humanamente irremediáveis, podemos ser celestialmente curados.

    Desde que o pecado entrou no mundo, e com ele a morte, todas as pessoas pecaram. São pecadoras! Pecam porque não podem deixar de pecar! É a natureza do ser humano, como herdeiro de Adão. Desde que o pecado entrou no mundo Caim matou Abel; Jacó enganou seu irmão, seu pai e seu tio; os irmãos de José tentaram matá-lo e o acabaram vendendo para o mercado de pessoas no Egito; Davi cobiçou e matou por flertar com sua vizinha e tantas outras atrocidades e maldades serão encontradas na história da humanidade, culminando na própria morte de Cristo. Falando extrabiblicamente, a história da humanidade está recheada de massacres e guerras, que comprovam a presença do pecado e seu poder de influência sobre os homens decaídos em Adão. — Que diferença faz o caso do jovem que entrou na escola e matou aquelas crianças em Realengo com os outros fatos trágicos de violência narrados na história humana?

    O pecado tem vários nomes, várias formas, vários meios, mas no final é o pecado agindo na humanidade. O Apóstolo inspirado pelo Espírito Santo nos traz uma ótima notícia: há cura para isso! A maior doença da humanidade tem cura e se chama Jesus Cristo (Rm 5.13-21)!

    A igreja é a agência de salvação, de divulgação deste antídoto divino para a doença do pecado na humanidade. O que nos torna diferentes do homem mau é a graça de Deus sobre nós, o Espírito Santo que habita em nós, que age na nossa santidade, nos orientando à mortificação da carne, nos guiando numa nova natureza. Uma natureza diferente da anterior, a velha natureza corrompida pelo pecado, portadores de uma nova natureza no Espírito e que faz de nós novas Criaturas (2Co 5.17). E diante de tanta crueldade, de tanta dor e violência, ficamos estarrecidos. Mas que violência é maior? A do ato violento que cruelmente humilha a humanidade, ou o ato violento, isto é, que viola a lei divina do IDE? O ato de nos negarmos a disseminar, proclamar, “pôr a boca no trombone” contra o pecado, pregando, compartilhando, expondo a Palavra de Deus que é o poder de Deus para a salvação? (Rm 1.16; 1Co 1.18,24).

Rev. Luiz Cláudio

Perguntas erradas? 

Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” -  Mateus 22.27

Este episódio entre Jesus e os Saduceus traz em seu bojo lições de grande proveito para a vida cristã. Quero destacar uma dessas lições: A importância de conhecer as Escrituras.

Segundo a interpretação de Jesus, os erros que cometemos na vida cristã estão diretamente relacionados ao nosso desconhecimento das sagradas letras. Paulo afirmou a Timóteo que estas sagradas letras “que podem fazer-te sábio para a salvação(2Tm 3.15).

Os sadudeus fizeram a pergunta errada, pois, se conhecessem as Escrituras Sagradas não teriam feito uma pergunta tão tola. Contudo, ler as Escrituras sem uma interpretação sadia, querendo impor ao texto a nossa impressão do que queremos enxergar, também é uma tarefa perigosa que nos conduz ao erro. Os saduceus testaram Jesus numa doutrina particular deles, conforme afirma Marcos 12.18: “Então os saduceus, que dizem que não há ressurreição”. Contudo, Jesus não tem compromisso com doutrinas estranhas a Palavra de seu Pai. Interpretações erradas promovem o erro na igreja e são consideradas, como vemos no texto, um erro proveniente do desconhecimento real das Escrituras.

Aprendamos a lição deixada pelo Mestre, evitando errar em nossas vidas por má interpretação e desconhecimento da Bíblia. Busque ler e conhecer mais a Escritura Sagrada. Não cometa este erro terrível que pode lhe conduzir à morte eterna.

O "Se" de Deus

"Se o meu povo...” – 2Cr 7.14.

    Desde o Éden temos esta advertência divina orientando nossos passos na hora de fazer escolhas, de fazer planos, de agir, etc. Muitas vezes os “ses” de Deus vêm implicitos em algumas de suas palavras ou frases, outras vezes, explicitas como no caso do texto base. Do Éden para nossos dias, Deus tem convocado seu povo para uma condição que lhes promoverá a reabilitação ao estado de bênçãos celestiais. Mas condições exigem condições, e estas são os “ses” de Deus.

    A necessidade de humilhação: (“Se o meu povo (...) se humilhar...”). Bem contrária a teologia popular que só fala em exaltação, poder, superioridade humana, Deus exige que seu povo abandone este sentimento impiedoso e altivo. O mundo é impactado e os corações são alcançados quando o povo de Deus se prostra e se humilha sob a mão do Altíssimo. Antes da igreja chamar o mundo ao arrependimento, ela precisa se humilhar diante de Deus. Nada pode ser mais contraditório que um crente soberbo. Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes (Tg 4.6; 1Pe 5.5). “SE” não se humilhar não recebe graça.

    A necessidade de oração e busca: (...e orar, e me buscar...). Quando o homem reconhece sua fraqueza ele confessa a onipotência divina. Só quando nos humilhamos diante de Deus é que aprendemos a verdadeira essência da oração. O necessitado não é altivo. O necessitado não ordena ou decreta ele se humilha e está disposto a perseverar para ser atendido em suas necessidades. Se necessário, o necessitado busca. Oração não é prioritariamente buscar as bênçãos de Deus, é buscar o Deus das bênçãos. Igreja que não ora precisa de oração. Igreja que não busca, não encontra (Mt 7.7; Lc 11.9). É uma contra-afirmação desejar a presença de Deus sem buscá-la espiritualmente.

    A necessidade de converter-se dos maus caminhos: (...e se converter dos seus maus caminhos). Não é dificil ver o povo de Deus envereda-se por atalhos perigosos, por descaminhos escabrosos e desvia-se das veredas da justiça. E quando assim procedem caem na iniquidade, e praticam pecados, tornam-se pedra de tropeço, embaraço para os incrédulos e motivo de escândalo no mundo. A santidade é o segredo que traz restauração para a igreja e salvação para o mundo.

    SE o povo fizer... Se não...

PASTORAL

Talento para o bem

Davi pegava a sua lira e tocava. [...] Saul, [...] sentia melhor e ficava bom novamente” – 1Samuel 16.23


     Davi foi chamado pelos servos de Saul com adjetivos muito atraentes: “Ele também é valente, bom soldado, fala bem, tem boa aparência, e o SENHOR Deus está com ele(v.18).

     O texto fala que Davi possuía um talento muito especial, além dos que já foram adjetivados, o talento para música. Quando Davi usava seu talento Saul sentia alívio do problema que o atormentava. Quero chamar a atenção para algo dito pelos servos de Saul a respeito de Davi: – “...e o SENHOR Deus está com ele”. Deus era a principal fonte do resultado que o talento de Davi proporcionava a Saul, sendo Deus mesmo a fonte do tormento de Saul (cf. v.14).

     Como é bom quando as pessoas olham para os cristãos e, a exemplo de Davi, deles pode ser dito “Deus está com ele”. É muito bom quando nossos talentos fazem bem às pessoas. Há pessoas que buscam estar perto de servos de Deus porque se sentem bem pelo simples fato de compartilharem de suas presenças. Pessoas que encontram paz nas palavras de crentes, encontram direção e, principalmente, encontram Deus neles. Com Davi, a explicação era porque “o SENHOR Deus esta[va] com ele”. Este é um resultado marcante na vida daqueles com quem Deus está.

     Deus está com você?  Você tem usado seu talento para proporcionar o bem ao próximo? Você é procurado pelas pessoas que precisam de alívio para a alma? Reflita nisso. 

Rev. Luiz Cláudio _________________________________________________________________________________________________________________________

PASTORAL

Princípio da Reciprocidade

Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles“ – Lucas 6.31.

         Numa sociedade hedonista e individualista esquece-se de observar coisas importantes e vitais para o convívio do homem causando imenso conflito no ethos social. Jesus nos ensina que o cristão não deve viver sem considerar o “outro”, isto é, que o cristão é aquele que considera seu próximo dentro do seu universo pessoal.

         Muitas vezes não percebemos que, muito do que recebemos da sociedade à nossa volta é o resultado direto daquilo que temos oferecido a ela. O Filho de Deus ensina que este princípio de “desejar para si começa em desejar para o outro” é a base do relacionamento interpessoal do cristão. Por exemplo: Se desejo receber amor, devo primeiramente dar amor. Se desejo um sorriso, devo dar primeiro um sorriso. Se desejo compreensão, devo primeiro compreender. Assim, percebo que tenho uma grande parcela de contribuição no processo de transformação da sociedade em que vivo.

Rev. Luiz Cláudio

Glossário____________________________________________________________

Hedonista - cada uma das doutrinas que concordam na determinação do prazer como o bem supremo, finalidade e fundamento da vida moral, embora se afastem no momento de explicitar o conteúdo e as características da plena fruição, assim como os meios para obtê-la.

Individualista - tendência, atitude de quem revela pouca ou nenhuma solidariedade e busca viver exclusivamente para si; egoísmo.

Ethos - na Sociologia: é uma espécie de síntese dos costumes de um povo.

Interpessoal - relativo a ou que envolve relação entre duas ou mais pessoas.

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